"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

3 de jan de 2009

GOSHO - O Tesouro de um Filho Dedicado

(Senniti-ama Gohenji, págs. 1318-1322)

Fiquei profundamente preocupado em ouvir as notícias sobre a freira, a esposa de Ko Nyudo. Por favor, diga-lhe que penso nela com muito carinho.
Recebi seu vários presentes: um kan e quinhentos mon de moedas, algas, plantas marinhas, wakame e arroz seco, e relatei respeitosamente o fato na presença do Sutra de Lótus.
O Sutra de Lótus diz: "Entre aqueles que ouviram esta Lei, não há ninguém que não atingirá o estado de Buda". Embora essa passagem consista em apenas dez caracteres, ler pelo menos uma única frase do Sutra de Lótus é ler sem omissão todos os ensinos sagrados pregados pelo Buda Sakyamuni durante a sua existência. Portanto, o Grande Mestre Miao-lo diz: "Se, ao propagar o Sutra de Lótus, a pessoa for interpretar mesmo que uma de suas doutrinas, deve levar em consideração os ensinos de toda a existência do Buda e dominá-los do início ao fim".
Por ‘início’ele indica o Sutra Kegon, e por ‘fim’ele se refere ao Sutra Nirvana. O Sutra Kegon foi exposto na época em que o Buda havia obtido a iluminação pela primeira vez, quando os grandes bodhisattvas Sabedoria Dharma, Floresta de Mérito e outros, atendendo à solicitação de um bodhisattva chamado Lua de Emancipação, pregaram diante do Buda. Não sei que forma esse sutra pode ter na Índia, no palácio do rei Dragão ou no Céu Tushita, mas foi trazido ao Japão numa versão de sessenta volumes, uma de oitenta volumes e uma de quarenta volumes. No caso do último dos ensinos, o Sutra Nirvana, eu mais uma vez não sei que forma pode ter na Índia ou no palácio do rei Dragão, mas em nosso país existe numa versão de quarenta volumes, uma de trinta e seis volumes e uma de dois volumes.
Além desses sutras, há os sutras Agon, os sutras Hodo e os sutras Hannya, que atingem cinco ou sete mil volumes. Porém, mesmo que não vejamos ou ouçamos falar de nenhum desses vários sutras, se lemos pelo menos uma única palavra ou frase do Sutra de Lótus, é como se estivéssemos lendo cada uma das palavras de todos esses diversos sutras.
É como os dois caracteres que compõem o nome da Índia, Gasshi, ou o nome do Japão, Nihon. Os dois caracteres que formam o nome Gasshi embarcam as cinco regiões da Índia, os dezesseis principais reinos, os quinhentos reinos intermediários, os dez mil reinos menores e os incontáveis pequenos países iguais a grãos de painço espalhados, todos com suas grandes áreas de terra, imensas imontanhas, suas plantas e árvores e seus habitantes humanos e animais domésticos. Ou é como um espelho, que pode ter só um, duas, três, quatro ou cinco polegadas de tamanho, mas consegue refletir a imagem de uma pessoa de trinta centrímetros ou um metro e meio de altura, de uma enorme montanha de três metros, seis metros, trinta metros ou trezentos metros.
Assim, quando lemos a passagem acima do Sutra de Lótus, compreendemos que todas as pessoas que tivessem conhecimento do sutra, sem uma única exceção, atingirão o estado de Buda.
Todos os vários seres nos nove mundos e seis caminhos diferem entre si em suas mentes. É comparável ao caso de duas pessoas, três pessoas ou cem ou mil pessoas. Apesar de todas terem um rosto de aproximadamente trinta centímetros de comprimento, nenhum parece exatamente igual ao outro. As mentes delas diferem e, portanto, seus rostos também. Muito maior ainda é a diferença entre as mentes de duas pessoas, de dez pessoas e de todos os seres vivos nos seis caminhos e nos nove mundos !
É tão grande que alguns adoram as cerejeiras floridas e outros amam a Lua, alguns preferem o sabor azedo e outros, o amargo; alguns gostam de pequenas coisas e outros, de grandes. As pessoas têm vários gostos. Algumas preferem o bem e outras, o mal. As pessoas são de vários tipos.
Contudo, embora elas possam diferir uma das outras em pontos como esses, quando compreendem o Sutra de Lótus, todas tornam-se como uma única pessoa em corpo e uma única pessoa em mente. É semelhante aos vários rios que, quando fluem para o grande oceano, passam a ter todos um gosto salgado; ou as várias espécies de pássaros que, quando se aproximam do Monte Sumeru, assumem todos a mesma cor (dourada). Desta maneira, Devadatta, que havia cometido três dos cinco pecados capitais e Rahula, que observou todos os duzentos e cinquenta preceitos, tornaram-se, ambos, identicamente, Budas. E tanto o rei Myoshogon, que mantinha visões errôneas, como Shariputra, que sustentava visões corretas, receberam, igualmente, predições de que atingiriam o estado de Buda. Isto porque, como nas palavras da passagem citada anteriormente, "Não há ninguém que não atingirá o estado de Buda".
No sutra Amida e em outros expostos durante os primeiros quarenta anos ou mais da vida de pregação do Buda, consta que Shariputra conquistou um grande mérito recitando o nome do buda Amida, um milhão de vezes no espaço de sete dias. Porém, como esses sutras foram repudiados como ensinos pertencentee ao período no qual o Buda ‘não havia ainda revelado a verdade’, essa recitação na realidade é tão sem sentido quanto ferver água durante sete dias, e depois, despejá-la no oceano.
A Dama Vaidehi, por meio de ler o sutra Kammuryoju, conseguiu atingir o estágio conhecido como a percepção de não-nascimento e não-extinção. Entretanto, uma vez que esse sutra foi descartado com as palavras do Buda de que ele iria agora ‘rejeitar honestamente todos os ensinos provisórios’, a menos que a Dama Vaidehi abraçasse a fé no Sutra de Lótus, ela teria de voltar à sua posição anterior de mulher comum.
Os atos de grande bem não são nada com que se possa contar. Se a pessoa não conseguir encontrar o Sutra de Lótus, de que servirão? Tampouco a pessoa deve lamentar ter cometido atos de grande mal. Pois se apenas praticar o veículo único, poderá seguir os passos de Devadatta (para atingir o estado de Buda). Tudo isso porque a passagem do sutra que a declar "Não há ninguém que não atingirá o estado de Buda" não foi proferida em vão.
Alguns podem estar tentando imaginar onde o espírito do falecido Abutsubo pode estar neste momento. Porém, usando o claro espelho do Sutra de Lótus para refletir a imagem dele, eu, Nitiren, posso vê-lo entre a assembléia no Pico da Águia, sentado dentro da Torre de Tesouro do Buda Taho e voltado para o leste.
Se o digo não for verdade, então, não se trata de nenhum erro meu. Ou melhor, a língua do Buda Sakyamuni, que disse: "O Honrado do Mundo não muito expõe suas doutrinas e agora deve revelar a verdade", juntamente com a língua do Buda Taho, que declarou: "O Sutra de Lótus…Tudo o que o senhor (Buda Sakyamuni) expôs é a verdade", bem como as línguas de todos os vários Budas, que estavam sentados lado a lado nos quatrocentos bilhões de terras, tão numerosos quanto as plantas de cânhamo e arroz, quanto as estrelas ou hastes de bambu, dispostos sem nenhuma lacuna entre si, e que, sem uma única exceção, estenderam suas línguas até o palácio de Daibonten, todas essas línguas, eu afirmo, apodrecerão num instante como uma baleia que morreu e se deteriorou, ou como um amontoado de sardinhas que se decompõe. Todos os Budas nos mundos das dez direções serão culpados da ofensa de falar grandes mentiras; o chão da terra pura da Luz Tranquila, que é feito de ouro e esmeraldas, subitamente se abrirá; e todos esses Budas, como Devadatta, mergulharão de cabeça para baixo na grande cidadela do inferno de incessantes sofrimentos. Ou, como aconteceu à freira Dharma Fragrância de Lótus, chamas furiosas brotarão de seus corpos por causa das grandes mentiras que disseram, e o jardim de flores do Mundo do Tesouro Lótus, uma Terra de Recompensa Real, imediatamente será reduzido a um local de cinzas. Porém, como isso seria possível ?
Se só o falecido Abutsubo deixasse de ser admitido na Terra Pura da Luz Tranquila, então, todos esses Budas cairiam num mundo de grande sofrimento. Pondo todo o resto de lado, deve considerar o assunto sob esse prisma. Com base nisto, poderá julgar a verdade ou a falsidade das palavras do Buda.
O homem é como o pilar, a mulher, como a viga mestra. O homem é como as pernas de uma pessoa, a mulher, como o tronco. O homem é como as asas de um pássaro, a mulher, como o corpo. Se as asas e o corpo ficarem separados, como o pássaro poderá voar ? E, se o pilar tomba, a viga com certeza cai no chão.
Um lar sem um homem é como uma pessoa sem alma. Com quem poderá discutir questões de negócios, e a quem poderá servir bons alimentos ? Ficar longe de seu marido por um simples dia ou dois é motivo de inquietação. E a senhora foi separada de seu marido no vigésimo-primeiro dia do terceiro mês do ano passado, e passou o restante do ano sem ver o retorno dele. Agora, já é o sétimo mês deste ano. Mesmo que ele não volte, por que não envia alguma notícia ?
As flores de cerejeira, que se dispersaram um dia, floresceram novamente, e a fruta que outrora caiu, formou-se de novo nas árvores. As brisas de verão não mudaram, e as cenas de outono são as mesmas do ano passado. Por que é que, só nesse assunto,as coisas têm de ser tão diferentes do que foram, e nunca mais voltarão a ser iguais ?
A lua põe-se e surge novamente; as nuvens dissipam-se e, então, ajuntam-se mais uma vez. Até mesmo o céu deve lastimar e a terra lamentar o fato desse homem ter partido e de que nunca mais retornará. A senhora deve sentir o mesmo.
Conte com o Sutra de Lótus como posição para a sua jornada e depressa, bem depressa, ponha-se a caminho da Terra Pura do Pico da Águia para que possa encontrá-lo lá !
Há uma passagem num dos sutras que diz que os filhos são os inimigos de uma pessoa. "As pessoas neste mundo cometem muitos pecados por causa dos filhos", esta afirma. No caso dos pássaros conhecidos como águia de crista e águia, embora os pais criem seus filhotes com compaixão, voltam-se contra eles e comem seus pais. E o pássaro chamado coruja após ser chocado, invariavelmente devora a sua mãe. Esse são exemplos entre as criaturas inferiores.
Mesmo entre os seres humanos, o rei Virudhaka tomou o trono de seu pai, por quem sentia ressentimento, e o rei Ajatashatru assassinou seu pai. An Lu-shan matou sua mãe adotiva, e An Chi’in-hsu matou seu pai, An Lu-shan. An Chi’ing-hsu foi morto por Shih Shih-ming (que era como um filho para ele) e Shih-shih-ming, por sua vez, foi assassinado por seu filho, Shih Ch’ao-i. Assim, há boas razões para se dizer que os filhos sejam inimigos. O monge chamado Sunakshatra era filho do Buda Sakyamuni, o senhor dos ensinos. Porém, ele conspirou com o mestre não-budista chamado Êxito por Intermédio de Austeridades e tentou, repetidas vezes, matar o Buda.
Há também uma passagem do sutra que diz que os filhos são um tesouro. Portanto, o sutra declara: "Em virtude dos benefícios que os filhos e filhas acumularam por meio da prática religiosa, um grande brilho reluzente surge iluminando o reino do inferno, e os pais (sofrendo no inferno) são capazes, desse modo, de despertar uma mente de fé. Contudo, mesmo que o Buda nos tivesse ensinado (que os filhos são um tesouro), poderia deduzir isto simplesmente pelas evidências diante de seus olhos.
Na Índia houve certa vez um grande soberano, o rei do país chamado Parthia. Esse rei gostava exageradamente de cavalos e de criação de cavalos. Com o tempo, tornou-se tão perito em criá-los que conseguia não somente converter um cavalo imprestável num animal de qualidade notável, mas também podia transformar um boi num cavalo. No final, até mesmo transmutava pessoas em cavalos e cavalgava-os. Os cidadãos de seu próprio Estado ficaram tão aflitos com essa última façanha dele que ele se restringiu a transformar homens de outras terras em cavalos. Consequentemente, quando um mercador viajante veio a seu reino de um outro país, ele ofereceu-lhe uma poção para beber, tornou-o um cavalo e amarrou-os nos estábulos reais.
Mesmo sob circunstâncis ordinárias, o mercador ansiava pela sua pátria e, em particular, pensava com saudade em sua mulher e em seu filho. Portanto, ele achou a sua sina muito difícil de suportar. Porém, como o rei não permitia que voltasse para casa, ele não poderia fazê-lo. Na verdade, mesmo que tivesse sido possível, o que poderia fazer lá em sua atual forma ? Assim, tudo o que lhe restava era lamentar o seu destino.
Esse homem tinha um filho que, quando o seu pai deixou de regressar no tempo esperado, começou a imaginar se seu pai havia sido morto, ou talvez tivesse adoecido. Sentindo que, como filho, deveria descobrir o que havia acontecido com o seu pai, partiu para uma viagem. Sua mãe lamentou-se, queixando-se de que seu marido já tinha ido para uma outra terra e deixado de voltar, e que se ela agora fosse abandonada pelo seu único filho também, não saberia como prosseguir. Mas o filho estava tão profundamente preocupado com o pai que, mesmo assim, pôs-se a caminho de Parthia em busca dele.
(Ao chegar lá) alojou-se por uma noite numa pequena hospedaria. O dono da casa disse: "Que tristeza! Você é ainda tão jovem, e posso ver pelo seu semblante e postura que é uma pessoa distinta. Tive um filho um dia, mas ele partiu para um outro país e talvez tenha morrido lá. Pelo menos não sei o que sucedeu com ele. Quando penso no destino de meu próprio filho, mal posso olhar para você. Digo isso porque aqui neste país temos uma causa para grande pesar. O rei deste país é tão exageradamente afeito a cavalos que se aventura a fazer uso de uma estranha espécie de planta. Se ele dá uma das estreitas folhas dessa planta para uma pessoa comer, ela transforma-se num cavalo. Se ele oferece uma das folhas largas da planta a um cavalo, este torna-se uma pessoa. Não faz muito tempo, um mercador veio aqui de um outro país. O rei deu-lhe algumas folhas dessa planta, transformou-o num cavalo, e está mantendo-o secretamente confinado no primeiro de seus estábulos reais.
Quando o filho escutou isto, pensou que seu pai provavelmente deveria ter sido transformado num cavalo, e perguntou: "Qual é a cor do pelo do cavalo?"
O dono da casa respondeu: "O cavalo é castanho com manchas brancas nas costas".
Após ter-se informado de todos esses fatos, encontrou uma maneira de aproximar-se do palácio real, onde conseguiu roubar algumas folhas largas da estranha planta. Quando deu-as ao seu pai, que havia sido transformado num cavalo, ele voltou à sua forma original.
O rei do país, maravilhado com o que ocorrera, entregou o pai ao filho, pois este havia mostrado ser um grande modelo de preocupação filial, e depois disso nunca mais transformou homens em cavalos.
Quem senão um filho teria percorrido tal distância à procura de seu pai ? O venerável Maudgalyayana salvou sua mãe dos sofrimentos do mundo dos espíritos famintos, e Jozo e Joguen persuadiram o pai a abandonar suas idéias heréticas. É por isso que se diz que um bom filho é o tesouro dos pais. Agora, o falecido Abutsubo foi um habitante de uma ilha erma e distante no mar do norte do Japão. No entanto, estava receoso a respeito de sua existência futura, e assim assumiu votos religiosos e aspirou à felicidade na próxima vida. Quando encontrou a mim, Nitiren, um exilado na ilha, ele abraçou o Sutra de Lótus e, na primavera do ano passado, tornou-se um Buda. Quando a raposa do Monte Shita encontrou a Lei do Buda, ficou insatisfeito com a vida, almejou a morte, e renasceu como o deus Taishaku. Da mesma maneira, Abutsu Shonin ficou cansado de sua existência nesse mundo impuro e, portanto, tornou-se um Buda.
Seu filho, Tokuro Moritsuna, seguiu seus passos, vindo a ser um sincero devoto do Sutra de Lótus. No ano passado, no segundo dia do sétimo mês, ele apareceu aqui em Minobu, em Hakuri, na província de Kai, tendo viajado mil ri por montanhas e mares com cinzas de seu pai penduradas em seu pescoço, e depositou-as no lugar dedicado à prática do Sutra de Lótus. E, este ano, no primeiro dia do sétimo mês, ele veio novamente ao Monte Minobu para visitar o túmulo de seu pai. Com certeza, não existe tesouro maior do que um filho, nenhum tesouro maior do que um filho !
Nam-myoho-rengue-kyo, nam-myoho-rengue-kyo.
Nitiren,
Em 2 de julho.
Pós-escrito: Estou enviando um manto sacerdotal de seda tingida. Por favor, informe Bungo-bo. Os ensinos do Sutra de Lótus já estão se propagando por todo o Japão. Bungo-bo deve encarregar-se de propagá-los na região de Hokuriku, mas não pode fazê-lo a menos que se torne bem versado. Diga-lhe que se apresse e venha até aqui, no máximo, no dia 15 de setembro.
Por gentileza, remeta-me os vários textos sagrados tão logo quando possível por intermédio de Tamba-bo, como fez com o diário. Por favor, mande-me Yamabushi-bo aqui conforme instruí antes. Fico muito contente em saber que vocês o trataram com tal amabilidade.

Fundo de Cena

Nitiren Daishonin escreveu este gosho no verão de 1280 à sua seguidora, Senniti-ama, na Ilha de Sado. O marido dela, Abutsubo Nittoku, havia falecido no ano anterior. Esta carta exprime a profunda solidariedade pela sua perda, bem como a convicção dele nos benefícios insondáveis do Sutra de Lótus.
Originalmente um ardente praticante da Nembutsu, o falecido Abutsubo foi um dos primeiros convertidos por Nitiren Daishonin. A tradição conta que logo após o exílio de Daishonin para aquele local, ele foi à morada de Daishonin em Tsukahara para desafiá-lo num debate, mas, em vez disso, converteu-se aos ensinos de Nitiren Daishonin juntamente com sua esposa, Senniti-ama. O casal idoso proveu-o de alimento e suprimentos e também ofereceu-lhe proteção enquanto ele esteve em Sado, expondo-se à desaprovação das autoridades.
Após Nitiren Daishonin ter sido perdoado da sentença de exílio e ter-se retirado para o Monte Minobu, Abutsubo, apesar de sua idade avançada, fez três viagens para vê-lo. Afirma-se que tenha morrido em 21 de março de 1279, aos noventa e um anos. Posteriormente, naquele mesmo ano, seu filho, Tokuno Moritsuna, fez uma peregrinação a Minobu com as cinzas de Abutsubo e as sepultou lá. Senniti-ama e Tokuro continuaram a sustentar os ensinos de Daishonin em Sado.
Senniti-ama estava preocupada a respeito das privações da vida de Nitiren Daishonin em Minobu e no ano seguinte enviou Tokuro para levar vários oferecimentos a ele. Tokuro chegou a Minobu no dia 1 de julho de 1280. Nessa ocasião, Nitiren Daishonin escreveu esta carta a Senniti-ama em reconhecimento aos seus sinceros oferecimentos, confiando-a ao filho dela na sua viagem de volta.
Na parte inicial, Nitiren Daishonin declara que ler uma frase do Sutra de Lótus é o equivalente a ler todos os ensinos expostos pelo Buda Sakyamuni durante sua existência. Ele assegura a Senniti-ama que todas as pessoas que abraçam o Sutra de Lótus irão, sem uma única exceção, atingir o estado de Buda, e portanto, à luz do ‘espelho claro do Sutra de Lótus’, não pode haver dúvida nenhuma de que o seu falecido marido, Abutsubo, havia alcançado o estado de Buda também.
Na parte restante da carta, Nitiren Daishonin encoraja Senniti-ama diante da solidão após a morte de seu marido, e também elogia a devoção filial de seu filho, Tokuro. Especialmente comovido pelas duas visitas de Tokuro a Minobu em benefício de seu pai, Nitiren Daishonin encerra a carta exclamando: "Com certeza, não há tesouro maior do que um filho, nenhum tesouro maior do que um filho!".


As mais Belas Histórias Budistas - As Escrituras de Nitiren DaishoninEndereço: http://www.vertex.com.br/users/san/goshos e-mail: sandro@vertex.com.br

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