"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

8 de jun de 2012

Sobre Daimoko, recebi por e meil, e repasso.....

E Agora, Alessandra Miranda?


Edição 490 - Publicado em 01/Junho/2009 - Página 9


"Durante o Daimoku, fico apavorada com os pensamentos absurdos e negativos que afloram em minha mente. Para desviar-me deles, leio orientações do presidente Ikeda e escritos de Nitiren Daishonin enquanto recito o Nam-myoho-rengue-kyo.
Assim me sinto melhor e mais tranquila. Mas essa conduta é adequada?
É comum e correto manifestar pensamentos diversos no momento da oração?"
S.B., Osasco — SP
S.B., agradeço por sua importante pergunta relacionada à postura no momento da oração. Muitas pessoas falam com frequência sobre os pensamentos que ocorrem enquanto oram.
Em relação a esse assunto, nosso mestre, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, afirma: “Não há nada de errado em ter constantes pensamentos durante a oração. Ter vários pensamentos faz parte de nossa vida como entidades do princípio dos três mil mundos num único momento da vida. Contudo, com o Daimoku podemos transformar até mesmo esses pensamentos em benefícios”.1
Sobre isso ainda, o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, dizia: “Como somos seres humanos, é natural que, durante a recitação do Daimoku, nos ocorram vários pensamentos. Mas, se orarmos com seriedade e sinceridade, gradativamente conseguiremos nos concentrar totalmente no Gohonzon. Se fizermos Daimoku com essa atitude, nossas várias preocupações do cotidiano serão resolvidas”.2
Percebe-se com tais orientações que não existem regras determinantes de como orar, assim como não há necessidade de mostrar o que não somos ou ficarmos tensos durante a oração. Acima de tudo, o que importa é sermos nós mesmos. À medida que aprofundamos a fé, nossa capacidade de concentração também aumenta. Desse modo, estratégias como recorrer à leitura das orientações do presidente Ikeda ou de escritos de Nitiren Daishonin, ambas essenciais em outras circunstâncias, são dispensáveis no momento da oração.
Há também pessoas que se questionam se é certo orar com foco em muitas situações ao mesmo tempo ou se devem se concentrar numa questão de cada vez. A esse respeito, o nosso mestre diz: “Não há limite para quantas questões podemos orar. Isso significa que, quanto mais desejos temos, mais sincera e profunda deverá ser nossa oração. É como se você quisesse comprar muitas coisas. Para isso, seria preciso muito dinheiro. O budismo é razão”.3
No budismo, aprendemos que, seja no momento de recitar o Daimoku, seja no momento de oferecer as orações silenciosas, o fundamental é orar com forte determinação. Os budas e as funções protetoras agem em resposta às orações sinceras e sérias, que surgem das profundezas da vida.
Porém, não podemos descartar o fato de que todos nós praticamos o budismo da causa e do efeito. Portanto, tudo o que determinamos diante do Gohonzon, cria simultaneamente a causa e o respectivo efeito.
A mente é o ponto de partida para a vida diária. Divagando, no momento da oração, produzimos um efeito nessa mesma medida.
Existe uma apostila elaborada pela Coordenadoria da Cidade de São Paulo: “A vida que muda com a oração essencial”. Esse material foi distribuído aos líderes de distrito e acima em julho de 2007. Na leitura, destaquei: “Como toda oração produz resultados, poderíamos, então, talvez, definir o efeito da oração da mente que divaga como um ‘efeito diluto’ (diluído) — às vezes tão diluído que não o percebemos e, por isso, duvidamos. Exercitando a oração com a mente de um Buda, a psique ‘evolui’ no sentido de sustentar uma percepção gradativamente mais clara da realidade, a razão advinda da fé, que dá suporte a um comportamento coerente com essa realidade”.
A apostila também informa que devemos observar constantemente o comportamento da própria mente, passando da “mente diluta” para a “mente resoluta”, pois esta nos conduz a soluções e permite-nos migrar da condição de meros espectadores para agentes reformistas da realidade.
No tratado “Ensino Tríplice Secreto”, consta: “Se a mente produzirá o bem ou o mal depende se produziu o bem ou o mal antes. Nesse sentido, o que a mente tem produzido é uma causa, e o que produzirá é um efeito. Na realidade, tanto a causa latente como seu efeito latente existem simultaneamente em nossa vida”.4
A prática budista tem a finalidade de disciplinar a mente. Um dos pontos essenciais para estabelecer tal disciplina é possuir objetivos claros, tendo como base “por quê” e “para quê” desses objetivos.
Quando não estabelecemos esses objetivos de forma clara, a mente divaga. Ao contrário, se a oração se fundamenta em objetivos concretos, disciplinamos a mente para conduzi-la diante do Gohonzon.
A partir daí, passamos a realizar a oração com a mente de um buda. Com isso, a vida como um todo entra nesta órbita e se sintoniza ao Gohonzon. Orando continuamente desta forma, quando percebemos, aqueles pensamentos absurdos e negativos que insistiam em prevalecer, vão se dissipando naturalmente, tal como uma nuvem cinzenta que desaparece e dá lugar ao grande Sol.
Orar com tal pensamento é fazer a mente gerar o bem maior. Como consequência, a mente passará a produzir sempre o bem maior que é o próprio desejo do Buda — o Kossen-rufu. Uma oração assim se torna isenta de apegos, medos, egoísmo, vaidades e sentimentalismo.
Portanto, o ideal é orar com o sincero desejo de realizar o Kossen-rufu da família, da comunidade, da sociedade, não permitindo que as questões secundárias da mente predominem e tirem o foco desta oração essencial.

Caso você deseje mais informações sobre a “oração”, recomendo que leia a seção Diálogo sobre Filosofia Budista das edições de abril e junho de 2008 da TC.
Espero sinceramente ter auxiliado.
Notas
1. BS, edição nº 1.560, 17 de junho
de 2000, p. 4.
2. PHJ, p. 324.
3. BS, edição nº 1.560, 17 de junho
de 2000, p. 4.
4. “Ensino Tríplice Secreto” é um dos seis tratados que integram os Escritos em Seis Volumes (Rokkan Sho), de Nitikan Shonin. A obra não possui tradução para o português.