"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

3 de jan de 2009

GOSHO - Sobre Recomendar este Ensino a Seu Lorde

(Shukun Jinyushi Homon Men-Yodozai-ji, pág. 1132-1133)
Recebi dois Kan de moedas. O principal tesouro dos seres sensíveis não é nenhum outro senão a própria vida. Aqueles que tiram a vida estão fadados a cair nos maus caminhos. Os reis giradores da roda observaram o preceito de "não matar" como o primeiro, dos dez bons preceitos. O Buda pregou os cinco preceitos no início dos sutras Hinayana e fez de "não matar" como o primeiro deles. Ensinou também "não matar"como o primeiro dos dez maiores preceitos no Sutra Bommo do Mahayana. O capítulo Juryo do Sutra de Lótus contém os benefícios do preceito de "não matar "do Buda Sakyamuni. Consequentemente, aqueles que matam serão abandonados por todos os Budas das três existências e os deuses dos seis céus do mundo do desejo não o protegerão. Os eruditos de nosso tempo estão conscientes disso, e eu, Nitiren, também tenho uma compreensão geral disso.
Entretanto, as circunstâncias de matar variam, e a ofensa da pessoa que foi morta pode ser grave ou leve. Se alguém matar o assassino de seus pais, de seu soberano ou de seu mestre, então, embora cometa o mesmo delito de matar, seu sério pecado será, na realidade, tornar-se mais ameno. Isto também é algo que nossos eruditos contemporâneos sabem. Porém, mesmo os bodhisattvas, com sua grande benevolência, se fizerem oferecimentos aos inimigos do Sutra de Lótus, com certeza cairão no inferno de incessantes sofrimentos. Em contraste, mesmo aqueles que cometem os cinco pecados cardeais, se odeiam esses inimigos, definitivamente renascerão nos reinos humano ou celestial. O Rei Sen'yo e o Rei Utoku, que destruíram, respectivamente, os quinhentos e os inumeráveis inimigos do Sutra de Lótus, tornaram-se o Buda Sakyamuni neste mundo. Os discípulos de Sakyamuni, tais como Mahakashyapa, Ananda, Shariputra, Maudgdyayana e outros incontáveis seguidores, foram os que, naquela oportunidade, estiveram na vanguarda da batalha e dissiparam o inimigo, matando-os, ferindo-os ou exultando no combate. O monge Kakutoku tornou-se o Buda Kasho. Ele foi um devoto do Sutra de Lótus muito compassivo que, naquela ocasião, pediu ao Rei Utoku que atacasse os inimigos do sutra como se fossem pessoas que estivessem traindo seu pai e mãe desde uma existência passada.
Nossa época presente corresponde aquele tempo. Se o soberano aceitasse as palavras de Nitiren, ele se tornaria como os dois reis. No entanto, ele não apenas as rejeitou, mas também pôs-se ao lado dos inimigos do Sutra de Lótus, de modo que toda a nação agora ataca a mim, Nitiren. Do soberano às pessoas comuns, todos tornaram-se caluniadores cujas ofensas ultrapassam até mesmo os cinco pecados cardeais. Todos pertencem à facção do soberano. Embora em seu coração o senhor pense como Nitiren, a sua pessoa está a serviço do seu lorde. Desta maneira, parece ser extremamente difícil evitar que cometa a ofensa de cumplicidade na calúnia. Todavia, o senhor transmitiu este ensino ao seu lorde e recomendou que tivesse fé nele. Quão admirável ! Mesmo que ele não o aceite agora, o senhor conseguiu impedir a ofensa da cumplicidade. De agora em diante, deve ter cuidado com o que fala. Os deuses celestes o protegerão sem falta, e eu próprio direi a eles que o façam.
Por favor, tome toda precaução possível. Aqueles que o odeiam estarão muito mais vigilantes esperando um ensejo para prejudicá-lo. Não vá mais a nenhuma festa regada a bebidas à noite. Que mal há em beber na companhia de sua esposa somente ? Mesmo que compareça a banquetes com outros durante o dia, jamais relaxe a sua guarda. Seus inimigos não terão oportunidade para atacá-lo, a menos que tirem vantagem de uma ocasião em esteja bebendo. Cuidado nunca é demais.
Com meu profundo respeito,Nitiren Em 26 de setembro de 1274(END. Vol. VI - pág. 57)

Fundo de Cena

Nitiren Daishonin escreveu esta carta no mês de setembro de 1274 a Shijo Kingo, um de seus principais seguidores em Kamakura e um samurai a serviço da família Ema, uma ramificação do clã dominante, Hojo, Nela, ele louva Shijo Kingo por sua coragem em aventurar-se a apresentar o ensino de Nitiren Daishonin a seu lorde, Ema Mitsutoki (ou o filho de Mitsutoki, Tikatori, segundo outra fonte). O título completo deste Gosho significa: "Sobre Recomendar Este Ensino ao Seu Lorde, Evitando Assim a Ofensa de Cumplicidade na Calúnia".
"A ofensa de cumplicidade na calúnia", diz respeito à calúnia que ocorre quando alguém, apesar de não cometer calúnia, faz oferecimentos aos inimigos da Lei Verdadeira ou age em concordância com caluniadores, deixando de admoestá-los.Perto da época da retirada de Nitiren Daishonin ao Monte Minobu, Shijo Kingo havia recomendado os ensinos de Daishonin ao Lorde Ema. Como muitos praticantes, Shijo Kingo havia despertado uma nova convicção na fé quando Daishonin, contra todas as expectativas, retornou a salvo de Sado. Durante o exílio, a profecia de Nitiren Daishonin de conflito interno, feita em sua escritura Risho Ankoku Ron (A Pacificação da Terra através do Verdadeiro Budismo) havia-se concretizado na forma de uma disputa pelo poder dentro do clã dominante Hojo, e agora que os mongóis estavam aprontando seus exércitos para o ataque, o cumprimento de sua segunda profecia, a de invasão estrangeira, parecia iminente. Essas podem estar entre as razões que levaram Shijo Kingo a falar sobre o assunto ao seu lorde.
Lorde Ema era então um seguidor do sacerdote Ryokan do templo Gokurakuji. Afirma-se também que a família Ema construiu Tyorakuji, um templo da seita Jodo entre os sete principais em Kamakura. De qualquer modo, o Lorde Ema ressentiu-se daquilo que ele considerou como presunção do seu vassalo, quando ele tentou convertê-lo, e atormentou-o de várias maneiras. Certa vez até mesmo ameaçou transferir Kingo para a remota província de Etigo se não renunciasse à sua fé no Sutra de Lótus, anos se passariam até que o samurai pudesse recuperar a confiança de seu lorde.
Neste Gosho, Nitiren Daishonin explana que 'não matar' é o primeiro entre todos os preceitos. Contudo, em certo aspecto, caluniar o Sutra de Lótus é uma ofensa ainda maior do que matar, pois alguém que se opõe ao sutra na verdade nega a natureza de Buda eternamente inerente em todos os seres, cuja compreensão é o propósito máximo da vida. Nitiren Daishonin elogia Shijo Kingo por ter insistido a seu Lorde que passasse a ter fé no Sutra de Lótus, evitando assim a ofensa de cumplicidade na calúnia. Ele também aconselha Kingo a ser cauteloso na fala e ação e partir de então, mostrando discernimento da personalidade do samurai bem como dos perigos que ele estaria enfrentando.


As mais Belas Histórias Budistas - As Escrituras de Nitiren DaishoninEndereço: http://www.vertex.com.br/users/san/goshos e-mail: sandro@vertex.com.br

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