"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

29 de jul de 2008

O PODER DO PENSAMENTO

O yogue Raman era um verdadeiro mestre na arte do arco e flecha. Certa manhã, ele convidou seu discípulo mais querido para assistir uma demonstração do seu talento. O discípulo já vira aquilo mais de cem vezes, mas - mesmo assim - resolveu obedecer ao mestre.
Foram para o bosque ao lado do mosteiro: ao chegarem diante de um belo carvalho, Raman pegou uma das flores que trazia em seu colar, e a colocou em um dos ramos da árvore.
Em seguida, abriu seu alforje, e retirou três objetos: seu magnífico arco de madeira preciosa, uma flecha, e um lenço branco, bordado com desenhos em lilás.
O yogue então posicionou-se a uma distância de cem passos do local onde havia colocado a flor. De frente para o seu alvo, e pediu que seu discípulo o vendasse com o lenço bordado.
O discípulo fez o que o mestre ordenara.
“Quantas vezes você já me viu praticar o nobre e antigo esporte do arco e flecha?” – perguntou.
“Todos os dias”, respondeu o discípulo. “E sempre o vi acertar na rosa, a uma distância de trezentos passos”.
Com seus olhos cobertos pelo lenço, o yogue Raman firmou os seus pés na terra, distendeu o arco com toda a sua energia – apontando na direção da rosa colocada num dos ramos do carvalho – e disparou.
A flecha cortou o ar, provocando um ruído agudo, mas nem sequer atingiu a árvore, errando o alvo por uma distância constrangedora.
“Acertei?" - disse Raman, retirando o lenço que cobria seus olhos.
“O senhor errou – e por uma grande margem” respondeu o discípulo. “Achei que ia mostrar-me o poder do pensamento, e sua capacidade de fazer mágicas..”
“Eu lhe dei a lição mais importante sobre o poder do pensamento”, respondeu Raman. “Quando desejar uma coisa, concentre-se apenas nela: ninguém jamais será capaz de atingir um alvo que não consegue ver.”
ANÔNIMO



As Mais Belas Histórias Budistas
e outras histórias..
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O zelo de Ananda

Ananda era primo de Buda. Tornou-se discípulo de Buda junto com Devadata, seu irmão mais novo, que só aprontava e fazia os demais sofrerem por sua causa. Ananda era espontâneo, inteligente e, tal como Buda, tinha um semblante bem delineado. Quando Buda completou 55 anos de idade disse:

- Até hoje, muitas pessoas revezadamente me serviram. Todavia, devido aos constantes rodízios, imagino que pela falta de costume tenham encontrado dificuldades. Portanto, gostaria que uma determinada pessoa fizesse o meu auxilio de modo constante.
Neste momento Mokuren disse a Ananda:

- Ananda, gostaria que você se tornasse nesta pessoa que servirá constantemente o nosso Nobre Mestre.
Para Ananda, estar sempre junto do Mestre Buda era motivo de imensa alegria. Porém, não bastava estar apenas junto. Ele precisava anular-se para servir ao Buda o máximo possível e compreender seus superiores também. Essa função era considerada a mais primária de um monge e sua permanência nesta função implicaria na sua ascensão na hierarquia sacerdotal.
Ananda respondeu:

- Se Buda me prometer três coisas, o servirei constante e alegremente. São elas:

1- Que Buda não me dê ou ofereça nenhum objeto.
2- Que ao Buda se sirva numa mesa em que eu não possa me servir.
3- Por mais que eu esteja junto dele, de modo constante, que ele não me odeie.

Mokuren transmitiu a Buda as condições de Ananda. Buda as aceitou e, assim, Ananda - aos 25 anos - tornou-se o "Auxiliar" (Disha) constante de Buda.
Graças ao acompanhamento constante de Ananda, pode-se dizer que ele ouviu todos os ensinamentos de Buda. Também, além disso, graças à sua memória magnífica, foi capaz de guardar cada palavra mencionada por Buda, sem qualquer margem de erro; tamanha era a sua força de concentração.
Certa vez, surgiu nas costas de Ananda um grande furúnculo que o fazia sofrer muito. Na índia daquela época havia um famoso médico chamado Guiba, a quem Buda pediu que fizesse uma cirurgia e curasse Ananda da ferida nas costas.
No entanto, só de ameaçar tocar, nas costas de Ananda, já começava a doer. Desse modo, Guiba disse a Buda que nada poderia fazer. Buda sorriu e lhe disse o seguinte:

- Quando eu lhe fizer um sinal, de imediato trate o ferimento de Ananda. Tenho certeza que ele não irá se contorcer de dor. Logo em seguida, Ananda, sem nada saber, sentou-se à frente de Buda.

Buda lhe disse:

- Ananda, olhe bem para os meus olhos e concentre-se apenas em ouvir minha voz.
Buda fez um sinal para Guiba e iniciou a pregação de quanto o Darma Sagrado era virtuoso e profundo. Guiba logo começou a cirurgia. Fez uma incisão no local da ferida, extraiu todo o pus, passou o remédio. Costurou e concluiu a cirurgia.
Por outro lado, Ananda ainda continuava atento, sem sequer piscar, ao ouvir os ensinamentos de Buda. Guiba anunciou:

- Nobre Buda, terminei a cirurgia. Já está tudo bem. Foi quando Buda perguntou a Ananda:

- Ananda, como vai a dor nas costas?

Ananda assustou-se pois até agora a pouco suas costas doíam tanto e agora não sentia mais nada. Ananda perguntou:

- O que aconteceu?

Buda alegremente respondeu:

- Sua fé o permitiu se concentrar tanto em ouvir os ensinamentos que o fez esquecer da dor nas costas.
Quando Buda estava prestes a adentrar ao Nirvana elogiou Ananda da seguinte forma:

- Ananda me serviu por muitos anos e nunca se serviu da mesma comida, também, jamais desejou novos trajes. Quando não necessitava dele estava ausente, e quando necessitei dele sempre esteve presente. Também nunca demonstrou apego a qualquer objeto valioso. E, sempre que ouvia os ensinamentos, aprendia todos eles logo na primeira vez.
Fez-me pergunta apenas uma vez. Foi quando o príncipe Ruri eliminou todo o Clã Shaka. Foi a pergunta que fez, às lágrimas:

- Diante de tamanha tragédia, como Buda pode manter-se tão sereno?
Soube compreender a mim e aos meus discípulos. Sem mesmo que eu tivesse que me expressar compreendia meus sentimentos. Ananda para mim é como se fosse meu irmão mais novo.
Desta forma, por 15 anos Ananda serviu e zelou constantemente de Buda.
Por isso permaneceu no mais reles grau sacerdotal.
Porém, graças a isso, pôde aprender todos os ensinamentos de Buda, ser lembrado e respeitado para sempre, como o discípulo "Zelo nº1" de Buda.
Graças à expressividade de seu zelo ao Buda foi incluído entre os Dez mais Notáveis Discípulos de Buda.
Após o falecimento de Buda liderou o primeiro movimento de compilação dos Sutras por ter sido quem mais ouviu e por ter uma memória infalível.
Também, com todo o cuidado e respeito, sempre iniciava a transmissão dos ensinamentos de Buda com a seguinte frase:

Assim eu ouvi.

Tal frase demonstra o tamanho respeito e fidelidade que sempre prestou ao Nobre Mestre Buda. Tal frase, também, é famosa por constar no início dos Sutras Budistas diferenciando-os das demais doutrinas.


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Adaptado dos Contos Infantis Budistas (Bukkyou Douwa). 1994.
Preciosa colaboração de Marcia Ferreira dos Reis
Desenhos Sandro Ribeiro
Referências bibliográficas


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O MONGE MORDIDO

Um monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora do rio o escorpião o picou. Devido à dor, o monje deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem, pegou um ramo de árvore, voltou outra vez a correr pela margem, entrou no rio, resgatou o escorpião e o salvou. Em seguida, juntou-se aos seus discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.
— Mestre, o Senhor deve estar muito doente! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda: picou a mão que o salvava! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu: — Ele agiu conforme sua natureza e eu de acordo com a minha.

Por que as pessoas gritam?

Em nosso coração está a causa dos sofrimentos e também a solução dos problemas. Precisamos orar sinceramente para termos sabedoria. É por meio da sabedoria que encontramos a solução para as nossas dificuldades.



O coração é a chave de tudo. Tudo depende da condição em que o coração se encontra. “O que importa é o coração” — uma famosa passagem dita por Nitiren Daishonin. “Quando nosso coração arde com o espírito de ‘empenhar-se com coragem e vigor’, brota uma vitalidade imutável e imortal. ‘Com coragem e vigor’ significa uma imensa coragem. ‘Empenhar-se’ tem dois significados: puro, no sentido de imaculado; e incessante, no sentido de atividade contínua e avanço invariável. Daishonin diz: ‘O Nam-myoho-rengue-kyo é a prática de se empenhar’’’.
Certa vez, Mahatma Gandhi perguntou: Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas? Um dos discípulos respondeu: porque perdemos a calma. Mas, por que gritar se a outra pessoa está ao seu lado? — questionou. Outro discípulo retrucou: gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça. Então, não pode ser dito em voz baixa? Em meio às várias respostas, Gandhi esclarece: quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. E, para cobrir essa distância, precisam gritar para se escutarem. Quanto mais aborrecidas, mais forte gritarão para ouvir um ao outro e cobrir a distância que separam. Por outro lado, quando duas pessoas estão enamoradas, não gritam; falam suavemente e até sussurram. E conclui: quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
No exercício da prática budista aprendemos a importância de acumular o “tesouro do coração”. São tesouros construídos internamente e são os mais valiosos. Se os “tesouros do cofre e do corpo” impedirem a conquista do tesouro do coração, os mesmos deixarão de ser tesouros; tornar-se-ão venenos. O tesouro do coração exposto no budismo se refere a um vasto estado de vida, repleto de boa sorte, vigorosa energia vital, sabedoria inextinguível e profundo calor humano. Quando acumulamos o tesouro do coração, o tesouro do corpo e o tesouro do cofre naturalmente irão se suceder. O coração tem razões que a razão desconhece, eis a conclusão do filósofo Pascal.

Os milhares de pensamentos


Nitiren Daishonin afirma que uma pessoa experimenta 804 mil pensamentos em um único dia.1 É realmente um número fenomenal! Nessa constante mudança, quantos de nossos pensamentos são positivos e negativos? Quantos estão voltados ao Gohonzon, à SGI e ao Kossen-rufu? E quantas ações executamos ou deixamos de fazer? O resultado de tudo isso é o que define nossa condição de vida.
Os pensamentos conduzem às palavras; as palavras conduzem às ações e as ações moldam o caráter e formam o destino. Daishonin afirma: “Uma pessoa expressa-se em palavras em duas ocasiões: em uma, para expressar sua descrença às outras pessoas com o propósito de enganá-las. Nesse caso, a voz dessa pessoa ‘está de acordo com a mente das outras pessoas’. Em outra ocasião, para revelar o que realmente pensa. Portanto, a voz expressa os pensamentos. A mente representa o aspecto espiritual, e a voz, o aspecto físico. O aspecto espiritual manifesta-se no aspecto físico. Uma pessoa pode compreender a mente de outra pela voz. Isso ocorre porque o aspecto físico revela o aspecto espiritual. Os aspectos físico e espiritual, que são unos em essência, manifestam-se como dois aspectos distintos. É por essa razão que a mente do Buda encontrou expressão nas palavras escritas do Sutra de Lótus. Essas palavras escritas são a mente do Buda sob uma forma diferente. Por essa razão, aqueles que lêem o Sutra de Lótus não devem considerá-lo como um sutra que consiste de meras palavras, pois as palavras desse sutra são a própria mente do Buda”.2
Então, qual é a voz do seu pensamento? Os estudiosos da comunicação intrapessoal (diálogo interior, da pessoa consigo mesma), afirmam que um pensamento gera no cérebro um sentimento que, por sua vez, gera um comportamento, e que o ciclo funciona no sentido oposto, isto é, o comportamento gera sentimentos que, por sua vez, geram pensamentos. Pensamentos pessimistas produzem resultados negativos, pensamentos otimistas geram força e esperança.
A nossa voz deve realizar o trabalho do Buda. Nam-myoho-rengue-kyo é sabedoria; é a prática ininterrupta do auto-aprimoramento; é o som que gera a harmonia e a sintonia com a Lei do Universo. O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, ensina: “Nossa voz recitando vibrante Daimoku ativará as funções positivas do Universo, movimentando-as para que nos protejam rigorosamente”.
Por que as pessoas gritam?


BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1885, PÁG. A2, 31 DE MARÇO DE 2007.

História e convicção da Soka Gakkai

O primeiro presidente Tsunessaburo Makiguti levantou-se para conduzir a Soka Gakkai e propagar a Verdadeira Lei justamente numa época em que os adeptos da Nitiren Shoshu haviam esquecido a questão da punição. Esta é a razão de ele ter exposto a teoria da punição tanto dentro como fora da Nitiren Shoshu, encontrando com isso perseguições por sua tentativa de propagar a grande Lei. Houve até bonzos que o atacaram dizendo que ao enfatizar a teoria da punição estaria contradizendo as doutrinas do Budismo de Nitiren Daishonin.
Contudo, o presidente Makiguti foi resoluto ao expor o terror da punição que se recebe por caluniar a Lei. Até o último momento de sua vida, permaneceu resoluto ao proclamar a verdadeira punição da Lei.
O Sr. Makiguti, meu mestre, freqüentemente dizia: "O Gohonzon possui um grandioso poder. O fato de o Gohonzon ter esse poder também significa que se o caluniarem, serão punidos. Como um pai que não é honesto o suficiente para repreender seus filhos poderá ajudá-los a tornarem-se felizes? Orem ao Gohonzon sinceramente. Os senhores não conseguem ouvir o Gohonzon dizer-lhes que 'se caluniarem esta Lei terão sua cabeça partida em sete pedaços?'. Essa declaração, que pode ser lida no Gohonzon, refere-se na realidade à punição que se recebe por caluniá-lo." Eu concordo com essa afirmação. Aquele que se opõe a esse ponto de vista na realidade não acredita no admirável poder do Dai- Gohonzon.
Gostaria de dizer que essas pessoas que se opõem à teoria da punição não são diferentes daquelas que são fascinadas pela suave benevolência do Budismo de Sakyamuni. Diria que elas não incorporam o verdadeiro espírito do Budismo de Nitiren Daishonin.(...) No canto superior direito do Gohonzon estão contidas as palavras: "Se caluniarem, terão sua cabeça partida em sete pedaços." Isso não significa a teoria da punição?
E no canto superior esquerdo está a seguinte inscrição: "Se fizerem oferecimentos, receberão benefícios maiores do que os dez títulos do Buda." Isso não significa a promessa que o Gohonzon nos faz de que recebemos benefícios quando o reverenciamos?
Benefício, ou valor, e punição, ou antivalor, constituem a realidade de nossa vida diária. Porém, alguns bonzos da Nitiren Shoshu haviam-se esquecido de que o poder do Gohonzon pode ser revelado na vida diária de uma pessoa. Quando o presidente Makiguti abordou essa questão, ficaram surpresos com o que ele havia revelado. Contudo, mantiveram a aparência como se soubessem disso há muito tempo.
Mais do que assustado, fiquei triste em saber que ainda hoje existem bonzos ignorantes que não se lembram dessa verdade.
No Gosho "As Perseguições ao Buda", Nitiren Daishonin afirma: "Nos Últimos Dias da Lei, os governantes e o povo que desprezam os devotos do Sutra de Lótus pareciam estar livres da punição no início, mas no final todos se destinaram à queda." (END., vol. 1, pág. 303.)
Essa passagem indica claramente que a pessoa que calunia a grande Lei receberá uma severa punição. Quem pode negar isso? Negar esse fato é um ato calunioso, e caso alguém proceda dessa forma significará que é uma pessoa tola e má. O Buda também diz no mesmo Gosho: "As mortes de Ota Tikamassa, de Nagasaki Tokitsuna e de Daishinbo, por exemplo, que foram atirados do cavalo, podem ser atribuídas à sua traição ao Sutra de Lótus. Existem quatro espécies de punição: geral e individual, conspícua e inconspícua. A epidemia generalizada, a fome nacional, as insurreições e a invasão estrangeira sofridas pelo Japão são punições gerais. Epidemias são também punições inconspícuas. As mortes trágicas de Ota e outros são conspícuas e individuais. Cada um dos senhores deve reunir a coragem de um leão e jamais sucumbir às ameaças de alguém. (END., vol. 1, pág. 303.) (...)
A suprema filosofia do budismo explanava claramente que o Japão seria derrotado se estivesse baseado no xintoísmo. O que na realidade aconteceu foi que os militares tentaram até mesmo queimar os documentos de Nitiren Daishonin que expunham um ensino muito importante. (...)
Dominada pelos militares, a nação japonesa passou a nutrir estranhos pensamentos. Sem compreender o quanto o povo iria se tornar ideologicamente confuso, a nação japonesa tentou unificar todas as religiões. Chegou a ponto de encorajar todos os cidadãos a adorarem a Deusa do Sol, acusando aqueles que se recusavam a proceder dessa forma de serem inimigos da nação e proponentes de pensamentos traiçoeiros e antibélicos. Pela primeira vez na história do Japão, praticamente a nação inteira adorou a fé total na Deusa do Sol.
A definição correta da Deusa do Sol é a de uma divindade que protege o Sutra de Lótus. Em outras palavras, somente quando oramos ao Sutra de Lótus a Deusa do Sol revela seu poder.(...)
O segundo sumo prelado Nikko Shonin, fundador do Templo Taissekiji, declara em seu escrito "As Vinte e Seis Advertências": "Os devotos não devem visitar santuários heréticos." Com esse espírito, o presidente Makiguti fez uma rigorosa declaração: "Nós não temos escolha a não ser propagar o Dai-Gohonzon, o verdadeiro desejo de Nitiren Daishonin, a fim de salvar nossa nação. Como podemos salvar nosso país simplesmente por meio da oração à Deusa do Sol?" (...)
O Templo Principal temia sofrer uma perseguição caso concordasse com a alegação do Sr. Makiguti. (...) Parecia estar temeroso quanto a uma possível perseguição a ser enfrentada, imposta pelos militares, caso os devotos não venerassem obedientemente o objeto de adoração xintoísta.
Em junho de 1943, os líderes da Soka Gakkai receberam uma ordem para irem ao Templo Principal. O bonzo Jikai Watanabe, em nome da Nitiren Shoshu, sugeriu que os membros da Soka Gakkai recebessem o talismã xintoísta de qualquer forma e que seguissem provisoriamente as normas militares. Essa sugestão foi feita com a presença de dois sumo prelados, o que estava em exercício e o aposentado, como testemunhas. Novamente, o segundo sumo prelado Nikko Shonin declara em "As Vinte e Seis Advertências": "Mesmo que o sumo prelado em exercício dite normas arbitrárias que se oponham ao budismo, ninguém deve adorá-las em absoluto." Baseando-se nesse espírito, o presidente Makiguti rejeitou resolutamente a idéia de aceitar o talismã xintoísta e deixou o Templo Principal. No caminho de casa, ele me disse: "O que eu lamento não é o fato de uma religião ser arruinada, mas que nossa nação irá perecer. Temo que o Buda esteja certamente triste com esta situação. Não seria esta a época de advertir toda a nação? Eu não compreendo o que o Templo Principal teme." (...)
O presidente Makiguti possuía esse espírito veemente, porém, o deturpado governo militar tratou-o como um criminoso, embora ele não tivesse cometido nenhum crime. Vinte e um líderes da Soka Gakkai foram presos somente porque se recusaram a adorar a Deusa do Sol. (...)
O presidente Makiguti, eu próprio e nossos companheiros fomos proibidos de visitar o Templo Principal, e todo o Japão taxou nossas famílias de inimigas da nação. Foi como aconteceu, foram dias muito estranhos.
O presidente Makiguti morreu de desnutrição na prisão em 18 de novembro de 1944, jamais perdendo o orgulho de enfrentar a perseguição.
Eu não soube de imediato sobre a morre de meu mestre. A última vez que o vi foi no inverno de 1943 no posto policial onde estávamos presos. Fomos encarcerados separadamente em celas estreitas e individuais. (...)
Em 8 de janeiro de 1945, um ano e meio após ser preso, disseram-me que o Sr. Makiguti havia falecido. Quando retornei à minha cela, não pude conter minhas lágrimas.
Quase na mesma época da morte do presidente Makiguti, eu havia completado aproximadamente dois milhões de Daimoku, e experimentei uma condição de vida profundamente mística graças à grande benevolência do Buda Original. Após isso, dediquei todo meu tempo a questionamentos, recitando o Daimoku e sentindo a alegria por ter sido capaz de compreender o Sutra de Lótus, que fora tão difícil de entender a princípio.
Enquanto estava sendo interrogado, fui informado de que a maioria de nossos companheiros havia abandonado a prática. Lamentei profundamente a fraca fé deles, mas, ao mesmo tempo, experimentei a alegria da gratidão ao Dai- Gohonzon das profundezas de meu coração. Decidi dedicar toda a minha vida ao Buda Original Nitiren Daishonin. (...)
Iniciando com o dia em que fui libertado da prisão, 3 de julho de 1945, tornei-me capaz de dizer ao meu falecido mestre em meu coração: "Nossa vida é eterna. Não há início nem fim para ela. Estou agora consciente de que todos nós aparecemos neste mundo com a grande missão de propagar os sete caracteres do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. Se me atrever a definirmo-nos com essa convicção, posso dizer que todos nós somos Bodhisattvas da Terra.
Esta consciência gradativamente permeou os membros da Soka Gakkai. Mesmo assim, a organização não abandonou seu aspecto transitório. Era apenas uma questão de consciência individual, e não uma revelação da verdadeira identidade da Soka Gakkai em dimensão global. Entretanto, logo um grande senso de missão emergiu de dentro da Soka Gakkai, e inaugurou uma nova fase com grande convicção. Eu diria que fomos capazes de corresponder ao Sr. Makiguti da seguinte forma: "Na aparência, ou num nível superficial, somos Bodhisattvas da Terra, mas na fé, ou num nível mais profundo, somos seguidores de Nitiren Daishonin. Somos seus discípulos. Onde quer que estejamos, por exemplo, diante de todos os budas e bodhisattvas do passado, presente e futuro de todas as direções, ou no abismo do inferno, recitamos orgulhosamente os sete caracteres do Sutra de Lótus ao Dai-Gohonzon. Adquirimos um orgulho único pelo Gohonzon que temos consagrado em nosso coração. Praticamos fielmente os sete caracteres do Sutra de Lótus para nós e para os outros. Refutamos todas as religiões heréticas, e assim, como mensageiros do Kossen-rufu no Oriente, conduziremos o desejo de nosso falecido presidente até o último momento de nossa vida." Esta convicção é o pensamento fundamental da Soka Gakkai. (...) Esta realidade significa que ela abandonou seu aspecto transitório e revelou sua verdadeira identidade. (...)
A Soka Gakkai, que perdeu seu aspecto transitório e revelou sua verdadeira identidade, iniciou vigorosas atividades seguindo exatamente o espírito de Nitiren Daishonin. Estamos determinados a encontrar muitas dificuldades, mas por estarmos convictos do quanto a nossa missão é nobre, essas futuras dificuldades não serão nada. Considerando a nobreza dos membros da Gakkai, digo que eles correspondem à seguinte consideração de Nitiren Daishonin: "Questão: Quando seus discípulos, sem qualquer compreensão, simplesmente recitam com sua boca as palavras Nam-myoho-rengue-kyo, que nível de iluminação podem atingir?
"Resposta: Não somente eles irão além do mais alto nível dos quatro sabores ou dos três ensinos, tal como atingido pelos praticantes do perfeito ensino mostrado nos sutras que precedem o Sutra de Lótus, como também ultrapassarão em milhões e bilhões de vezes os fundadores da Shingon e de várias outras escolas do budismo - homens como Shan-wu-wei, Chih-yen, Tzuen, Chi-tsang, Tao-hsuan, Bodhikharma e Shan-tao.
"Portanto, rogo às pessoas deste país: Não desprezem meus discípulos! Se alguém inquirir seu passado, descobrirá que eles são grandes bodhisattvas que fizeram doações aos budas durante um período de oitenta miríades de milhões de kalpas, e que executaram práticas religiosas sob o comando de budas tão numerosos quanto as areias dos rios Hiranyavati e Ganges. E se alguém falar do futuro, saberá que eles são dotados com os benefícios da qüinquagésima pessoa, ultrapassando aquele que faz doações a todos os seres vivos por um período de oitenta anos. Eles são como um imperador bebê envolto num cueiro, ou um grande dragão que acabou de nascer. Não os desprezem! Não os olhem com desrespeito!" (The Major Writings of Nichiren Daishonin, vol. VI, págs. 224-225.)
Os membros da Gakkai que leram essa passagem despertaram para um grande senso de missão e abrigaram um profundo desejo de propagar o Verdadeiro Budismo pelo Kossen-rufu do Oriente.

Preciosa Colaboração de Marcio Rangel e-mail ongakutai@ig.com.br

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Consciência no Momento Presente

Nossa alegria, nossa paz, nossa felicidade depende muito de nossa prática em reconhecer e transformar nossas energias de hábito. Há energias de hábito positivas que nós temos que cultivar, há energias de hábito negativas que nós temos que reconhecer, conter e transformar. A energia através da qual nós fazemos estas coisas é a Consciência. Consciência é um tipo de energia que nos ajuda a estar atentos ao que está acontecendo. Então, quando a energia de hábito se mostra, nós sabemos imediatamente. "Olá minha pequena energia de hábito, eu sei que você está aí. Eu cuidarei muito bem de você." Reconhecendo-a como ela é, você estará no controle da situação. Você não tem de lutar com ela; de fato, o Buda não recomenda que se lute assim, porque aquela energia de hábito é você, e você não deveria lutar contra si mesmo.

Você tem que gerar a energia de consciência que também é você, e esta energia positiva fará o trabalho de reconhecer e conter a outra. Toda vez que você reconhece sua energia de hábito, você ajuda a transformá-la um pouco. A energia de hábito é como uma semente dentro de sua consciência, e quando ela se torna uma fonte de energia, você tem que reconhecê-la. Você tem que trazer sua consciência ao momento presente, e assim conter a energia negativa: "Olá, minha energia de hábito negativa. Eu sei que você está aí. Eu estou aqui com você." Depois de um, dois ou talvez três minutos, aquela energia voltará à forma de semente, para manifestar-se novamente mais tarde. Você tem que estar muito alerta.

Toda vez que uma energia negativa é contida pela energia de consciência, perderá um pouco de sua força à medida em que retorna como semente ao mais baixo nível de percepção. A mesma coisa é verdadeira para todas as outras formações mentais: seu medo, sua angústia, sua ansiedade, e seu desespero. Elas existem em nós na forma de sementes, e toda vez que uma das sementes é regada, se torna uma zona de energia no nível superior de nossa consciência. Se você não souber cuidar dela, causará dano, irá nos pressionar para fazer ou dizer coisas que magoarão a nós mesmos e as pessoas que nós amamos. Então, gerar a energia de consciência para reconhecer, conter e tomar conta destes hábitos é a prática. E a prática deve ser feita de um modo muito suave e não-violento. Não deve haver nenhuma luta, porque quando você luta, você cria danos dentro de si.

A prática budista está baseada na percepção [insight] da não-dualidade: você é amor, você é consciência, mas também é aquela energia de hábito que está dentro de você. Meditar não pretende transformá-lo em um campo de batalha, o certo lutando contra o errado, o positivo lutando contra o negativo. Esta não é uma atitude budista. Assim é que, baseado na percepção da não-dualidade, a prática deveria ser não-violenta. A consciência que contêm a raiva é como uma mãe que abraça seu filho, a irmã maior que abraça a irmã mais jovem. O abraço sempre traz um efeito positivo. Você pode trazer alívio, e pode fazer a energia negativa perder um pouco de sua força, apenas a contendo.

(Thay desenha em um quadro) Este círculo representa nossa consciência, e a parte mais baixa é chamada de consciência armazenadora. A parte superior é chamada a consciência mental. Na base da consciência de armazenadora, são armazenados muitos tipos de sementes: a semente do amor, a semente da compreensão, a semente do perdão, a semente do desespero, a semente da raiva - positiva e negativa -, elas são todas mantidas e preservadas na consciência de armazenadora. E toda vez que uma destas sementes é tocada ou regada, se manifestará na consciência mental superior como uma zona de energia, "energia número um." Criando seu medo, seu ciúme, seu desespero, sua depressão.

Um praticante é alguém que tem o direito de sofrer, mas que não tem o direito de não praticar. Pessoas que não são praticantes permitem que sua a dor, desgosto e angústia os subjuguem, os pressionem para dizer e fazer coisas que não desejam. Nós, que nos consideramos praticantes, temos o direito de sofrer como todo mundo, mas nós não temos o direito de não praticar. Então, nós temos que fazer algo, buscar coisas positivas dentro de nossos corpos e nossa consciência, tomar controle de nossas situações. É normal sofrer, é normal ficar bravo, mas não é normal se permitir ser engolfado pelo sofrimento. Nós sabemos que em nossos corpos e nossa consciência existem elementos positivos que nós podemos buscar em nosso favor. Nós temos que mobilizar estes elementos positivos para proteger a nós mesmos e cuidar das coisas negativas que estão se manifestando em nós.

O que normalmente fazemos é chamar a semente da consciência para vir à tona e também se manifestar como uma zona de energia, que nós chamaremos "energia número dois." A energia de consciência tem a capacidade de reconhecer, conter e aliviar o sofrimento, acalmando-o e também o transformando. Em cada um de nós existe a semente da consciência, mas se nós não praticarmos a arte de viver atentos, então aquela semente pode tornar-se muito pequena. Nós poderemos estar atentos, mas nossa consciência será muito pobre. Claro que, quando você dirige seu carro, você precisa de sua consciência. Uma quantia mínima de consciência é requerida para que você dirija, caso contrário você se envolveria em um acidente.

Nós sabemos que cada um de nós tem a capacidade de estar atento. Quando você opera uma máquina precisa de certa quantia de consciência, caso contrário acontecerá um acidente de trabalho. Em nosso relacionamento com outra pessoa, nós precisamos também de alguma quantia de consciência, caso contrário nós iremos prejudicar a relação. Nós sabemos que todos nós temos um pouco de energia de consciência, e esse é o tipo de energia que nós precisamos para cuidar de nossa dor e nosso desgosto.

Consciência é algo que todos nós podemos criar. Quando você bebe um pouco de água, e sabe que está bebendo água, isto é consciência. Nós chamamos isto de consciência de beber. Quando você inspira, e está atento que está inspirando, isso é consciência de respiração, e quando você caminha, e sabe que está caminhando, então isso é consciência de andar. Consciência de dirigir, consciência de cozinhar… vocês não precisam estar na sala de meditação para praticar a consciência. Você pode estar lá na cozinha, ou no jardim, e continuar cultivando a energia de consciência. Esta é a prática mais importante dentro de um centro de prática budista: você faz tudo atentamente, porque precisa muito desta energia, para sua transformação e cura. Você sabe que pode fazer isto, e o fará melhor se estiver envolvido por uma comunidade de irmãos e irmãs que estão fazendo as mesmas coisas que você. Sozinho você poderia esquecer, e poderia abandonar sua prática depois de alguns dias ou alguns meses. Mas se você vive permanentemente com uma Sangha, então será apoiado, e sua consciência ficará mais forte e mais forte diariamente, graças ao apoio da Sangha.

Para aqueles entre nós que praticam a consciência como uma arte de vivência diária, a semente de consciência guardada em nossa consciência armazenadora fica muito forte; e em qualquer momento que nós a tocamos, a chamamos para nos ajudar, então ela estará pronta para nós, como a mãe que, embora esteja trabalhando na cozinha, sempre está pronta para atender aos gritos do bebê toda vez que ele chorar. Assim nossa consciência está lá de forma que nós a possamos reconhecer, porque a consciência é definida principalmente como a energia que nos ajuda a saber o que está acontecendo no momento presente.

Eu bebo água, eu sei que estou bebendo a água. Bebendo a água é o que está acontecendo. Eu caminho atentamente, piso atentamente, e sei que estou fazendo passos atentos. Consciência de andar: Eu estou consciente que meu caminhar está acontecendo, e eu me concentro no andar. A consciência tem o poder de trazer concentração. Quando você bebe atentamente sua água, você se concentra em seu ato de beber. Se você se concentra, a vida se aprofunda, e você é capaz de adquirir mais alegria e estabilidade apenas por beber sua água atentamente. Você pode dirigir atentamente, você pode cortar atentamente cenouras, e quando faz atentamente tais coisas, sente que você está concentrado. Você vive cada momento de sua vida diária profundamente, e todos nós sabemos que a consciência e a concentração produzirão o insight que nós precisamos.

Se você não pára, se você não fica atento, se você não se concentra, então não há nenhuma chance de você adquirir tal "insight". Meditação budista significa parar, se acalmar, se concentrar, e dirigir seu olhar profundamente no que ocorre no aqui e agora. O primeiro elemento da meditação budista é o parar, e o segundo elemento é olhar profundamente. Parar significa não correr mais, estar atento ao que está acontecendo no aqui e agora. A consciência lhe permite estar no aqui e agora, com o corpo e mente unidos. Em nossas vidas diárias acontece muito freqüentemente que nosso corpo esteja lá, mas nossa mente está em outro lugar, no passado ou no futuro, ou presa de nossos projetos, nossos medos, nossas raivas. A consciência nos ajuda a trazer a mente de volta ao corpo, e quando faz isto você subitamente fica verdadeiramente presente no aqui e agora. Assim você pode definir a consciência como a energia que lhe ajuda a estar completamente presente.

Se você está completamente presente, com sua mente e corpo verdadeiramente unidos, você imediatamente fica totalmente presente e totalmente vivo. É aquela energia que lhe ajuda a estar vivo e presente. Você pode trazer consciência a si de muitas formas: por apenas respirar, caminhar, olhar, cozinhar, por tomar café da manhã… pois você pode usar o ato de tomar café da manhã como um exercício para unir corpo e mente.

Eu gostaria de definir a consciência como a prática de estar ali, corpo e mente unidos. A prática de estar totalmente presente, a prática de estar totalmente vivo. Você tem um encontro com a vida - e você não deveria perdê-lo. O tempo e o espaço de seu encontro são o aqui e o agora. Se você perde o momento presente, se você perde o aqui e o agora, você perde seu encontro com a vida, o que é muito sério. Assim aprender a voltar para o momento presente, estar completamente presente, estar completamente vivo, é o início da meditação.

Uma vez estando ali, uma outra coisa também está lá: Vida. Se você não estiver disponível para a vida, então a vida não estará disponível para você. Quando você está com um grupo de pessoas e contempla a lua ascendente, você precisa estar atento, você precisa estar no aqui e agora. Se você se deixar perder no passado ou no futuro, a lua cheia não será para você, mas para as outras pessoas que estão ali. Assim, se você sabe praticar a respiração atenta, você pode trazer sua mente de volta a seu corpo, e pode se fazer plenamente presente e plenamente vivo, e então a lua existirá para você. Por isso eu digo que se você estiver presente, uma outra coisa estará lá também: Vida.

A Consciência ajuda-o a realizar o ato de parar. Você deixa de correr porque realmente está ali. Você deixa de ser envolvido por sua energia de hábito, por seu esquecimento. E quando você toca algo bonito, com consciência, este algo se torna um elemento refrescante e curativo para você. Com consciência nós podemos tocar as coisas positivas, e também podemos tocar as coisas negativas. Se há alegria, a consciência nos permite reconhecer isto como alegria, e a consciência nos ajuda usufruir desta alegria e a permite crescer, e nos ajuda no trabalho de transformação e cura.

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Nosso corpo e nossa consciência são como um jardim: pode haver várias árvores morrendo naquele jardim, mas isso não significa que o jardim inteiro esteja morto. Talvez a maioria das árvores ainda seja vigorosa, bonita. Por isso que você não deveria permitir ao negativo lhe subjugar, porque ainda há muitas coisas que estão bem em nossos corpos e nossa consciência. O terapeuta deveria ajudar seu paciente a desenvolver a habilidade de identificar estes elementos positivos dentro de si, e ao seu redor. E o terapeuta, claro está, tem que poder fazer isso por ele ou ela, e se tornar um co-participante. O terapeuta pode convidar seu paciente para uma sessão de meditação andando, e durante esta sessão ele tentará pôr o paciente em contato com os elementos positivos dentro dele ou ao redor dele. Na prática budista isto é muito importante. Consciência é a energia que nós geramos, e primordialmente nós queremos esta energia para nos ajudar a estar em contato com coisas positivas - alegria e felicidade.

(Traduzido por Cláudio Miklos da Discussão de Dharma de Thich Nhat Hanh em Plum Village em 6 de agosto de 1998)

Há elementos dentro de nós que não estão errados. Há elementos ao redor de nós que não estão errados. E a primeira tarefa dos meditadores é serem capazes de tocar e reconhecer estes elementos positivos, porque eles têm o poder de nutrir e curar. Se você é um psicoterapeuta, poderia gostar de tentar isto com seus pacientes: em vez de falar sobre o que está errado, você os convida a falar sobre o que não está errado com eles e ao seu redor. Às vezes nós estamos muito fracos ou muito doentes para lidar apenas com nossos elementos negativos. Antes que uma cirurgia seja feita, um doutor examinará o paciente para ver se aquela pessoa tem bastante força para resistir à cirurgia. Se a pessoa é muito fraca, o doutor tentará, através da nutrição e outros meios, a ajudar o corpo do paciente a se fortalecer antes da operação ser feita. Nós fazemos a mesma coisa aqui. Se uma pessoa sofre muito, nós não deveríamos começar falando sobre o que está errado.

Comparação entre o Sutra de Lótus e os Outros Sutras

(Shokyo to Hokekyo to Nan-I no Koto – Págs.991 a992)

Questão: O capítulo Hosshi, no volume quatro do Sutra de Lótus, diz: "o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender". Qual o significado dessa passagem ?
Resposta: Já se passaram mais de dois mil anos desde que o Buda expôs o Sutra de Lótus na Índia. Levou pouco mais de mil e duzentos anos até ser trazido da China para o Japão. E mais de setecentos anos se passaram desde então.
Após o falecimento do Buda, haviam apenas três pessoas que compreenderam o verdadeiro significado dessa passagem do Sutra de Lótus. O primeiro foi o bodhisattva Nagarjuna na Índia, que afirmou em seu Dai-ron. "(O Sutra de Lótus) é como um grande médico que transforma o veneno em remédio…". Essa foi a maneira como explicou o significado da passagem "o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender" (O segundo), na China, Tientai, o grande mestre da sabedoria, interpretou a passagem do contexto do sutra: "Entre todos os sutras que o Buda pregou, prega e pregará, o Sutra de Lótus é o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender". (O terceiro) no Japão, o Grande Mestre Dengyo, detalhou essa frase: "Todos os sutras dos primeiros, quatro, dentre os cinco períodos, pregados no passado, o Sutra do Infinito Significado agora sendo pregado, e o Sutra do Nirvana que será pregado no futuro, são fáceis de crer e fáceis de compreender. Isso porque o Buda ensinou-os de acordo com a capacidade da audiência. O Sutra de Lótus é o mais difícil de crer e o mai difícil de compreender porque o Buda o expôs partindo da sua iluminação".
Questão: Seria possível explicar mais ?
Resposta: Em resumo, a facilidade de crer e compreender é atribuível ao ensino do Buda adaptado à capacidade das pessoas. Por outro lado, a dificuldade de crer e compreender é atribuível ao ensino segundo a sua própria iluminação.
Kobo Daishi e seus adeptos do templo To-ji no Japão sustentam que, dentre todos os ensinos exotéricos (ensinos do Buda Sakyamuni), o Sutra de Lótus é o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender. Entretanto, contrastando com os ensinos esotéricos (ensinos do Buda Dainiti), eles afirmam, o Sutra de Lótus é fácil de crer e fácil de compreender. Jikaku, Tisho e seus seguidores argumentam que tanto o Sutra de Lótus como o Sutra Dainiti estão entre os mais difíceis de crer e mais difíceis de compreender mas, dentre esses dois, o Sutra Dainiti é de longe o mais difícil de crer e compreender.
Todas as pessoas no Japão concordam com essas duas argumentações. Entretanto, após ler todos estes sutras, Nitiren toma um diferente ponto de vista. As escrituras não budistas são mais fáceis de crer e compreender que os sutras Hinayana. Mas esses sutras são mais fáceis que o Dainiti e outros sutras (Hodo), os quais são mais fáceis que os sutras Hannya. O mesmo é verdade com os sutras Hannya e Kegon, os sutras Kegon e do Nirvana, o do Nirvana e o de Lótus, e os ensinos teórico e essencial do Sutra de Lótus.
Questão: Qual é o significado de conhecer estas diferenças ?
Resposta: Nenhum sutra é igual ao de Lótus, o grande farol que ilumina a longa noite do sofrimento da vida e da morte, ou uma poderosa espada que pode destruir a escuridão fundamental inerente à vida do homem. Outras seitas, tais como a Shingon e a Kegon, acreditam em ensinos revelados segundo as capacidades das pessoas. Elas são evidentemente fáceis de crer e de compreender. Nos ensinos que admitem as diferenças nas capacidades das pessoas, o Buda desce ao nível delas para satisfazer os desejos das pessoas dos nove mundo, tal como um sábio pai faria para o seu filho ignorante. Por outro lado, ensinos expostos a partir da iluminação do Buda indicam que ele ensina o homem mantendo-se dentro do mundo do Estado de Buda. É como se fosse um santo pai que educa seu filho ignorante da maneira como ele deseja.
À luz desse princípio, Nitiren considerou cuidadosamente os sutras Dainiti, Kegon, do Nirvana, e outros (provisórios), apenas para chegar à conclusão de que todos eles foram expostos de acordo com a capacidade das pessoas dos nove mundos.
Questão: Há alguma evidência que prove isso tudo ?
Resposta: O Sutra Shoman diz: Para aqueles que não ouviram ou aceitaram qualquer ensino falso, o Buda os leva à maturidade através de boas causas para a Tranquilidade e Alegria. Para os que buscam o estado de Erudição, o Buda expõe o ensino que os leva àquele estado. Para os que buscam o estado de Absorção, o Buda revela o ensino para esse estado. Para os que buscam ensinos Mahayana, o Buda os ensina. Isso mostra porque os ensinos do Buda são fáceis de crer e fáceis de compreender – os sutra Kegon, Dainiti, Hannya, do Nirvana, e outros. (Em contraste, o Sutra de Lótus diz) "Naquele tempo, através do Bodhisattva Yakuo, o Honrado-pelo-Mundo dirigiu-se aos oitenta mil grandes buscadores da Lei: "Yakuo, o senhor vë dentro desta multidão incontáveis deuses, reis dragões, yakshas, gandarvas, ashuras, garudas, kinnaras, mahoragas, humanos e não humanos, assim como monges, monjas, leigos e leigas. O senhor vê nesta multidão aqueles que buscam a categoria de shomon (Erudição), os que buscam a categoria de Pratyeka-Buda (Absorção), e os que buscam a categoria de Buda ? Se qualquer um deles ouvir um único verso ou uma única frase do Sutra de Lótus na presença do Buda e experimentar um único momento de alegria, eu lhe confiro a profecia de que ele atingirá a suprema iluminação."
Nos sutras provisórios, Sakyamuni ensinou o seguinte: cinco preceitos para as pessoas da Tranquilidade, dez preceitos para os da Alegrai, as quatro qualidades inimagináveis da benevolência, simpatia, alegria e imparcialidade a Bonten, uma cerimônia para doação imparcial de esmolas ao Rei Demônio, duzentos e cinquenta preceitos para bonzos, quinhentos preceitos para freiras, as Quatro Nobre Verdades para as pessoas de Erudição, a corrente de doze elos da causalidade dependente às pessoas em Absorção, e o seis paramitas para os Bodhisattvas. Esses ensinos são comparáveis à água adaptando-se à vasilha, redonda ou quadrada. Poderiam também ser comparados com um elefante que usa apenas a força suficiente para vencer o seu inimigo.
O Sutra de Lótus é inteiramente diferente de todos esses sutras. Ele foi igualmente concedido a todos, incluindo os oitos grupos de seres sensíveis e os quatro tipos de crentes. O Sutra de Lótus, portanto, é comparável a uma régua para traçar linhas retas, ou comparável ao leão, o rei dos animais, que sempre usa a sua máxima força independentemente da força do seu oponente.
Quando o senhor vê todos os sutras no espelho claro do Sutra de Lótus, fica evidente que os três sutras do Buda Dainiti e os três sutras básicos do Jodo são ensinos expostos segundo a capacidade das pessoas. Entretanto, esse fato foi esquecido no passado por mais de quatrocentos anos no Japão porque, por motivos que desconhecemos, os ensinos de Kobo, Jikaku, e Tisho foram amplamente aceitos. É como trocar a pedra preciosa por uma pedra comum ou a madeira de sândalo por uma madeira comum. Como resultado, a confusão no Budismo atirou a sociedade na confusão. O Budismo é como o corpo e a sociedade como a sombra. Quando o corpo de curva, assim o faz a sombra. Quão afortunados são todos os meus crentes que seguem as verdadeiras intenções do Buda e naturalmente fluem no oceano da sabedoria. Os estudiosos budistas de hoje acreditam em ensinos que foram expostos segundo as capacidades das pessoas, e mergulham no mar dos sofrimentos. Explicarei mais numa outra ocasião.
Com meu profundo respeito,
Nitiren
Em 26 de maio de 1280.

Fundo de Cena

Nitiren Daishonin escreveu esta carta no Monte Minobu para Toki Jonin, em Shimousa (atual prefeitura de Chiba), em 1280, um ano após haver inscrito o Dai-Gohonzon. Ele estava com cinquenta e nove anos de idade. Toki era um dos discípulos principais que protegiam Daishonin justamente com Ota Jomyo e Soya Kyoshin, residentes na mesma região e Shijo Kingo, que vivia em Kamakura. Toki e sua esposa receberam trinta outras cartas, incluindo Carta de Sado, O Verdadeiro Objeto de Adoração e Sobre Atingir o Estado de Buda.
Usando o método de perguntas e respostas, Nitiren Daishonin explica a Toki uma passagem no Capítulo Hosshi do Sutra de Lótus, que diz: "o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender".
No começo da carta, ele faz referência aos três únicos estudiosos budistas que, na história do Budismo, interpretaram corretamente essa frase: Nagarjuna, na Índia; Tientai, na China; e Dengyo, no Japão.
A seguir, ele explica os dois tipos de ensino: o provisório, que o Buda ensinou segundo a capacidade das pessoas, e o Sutra de Lótus, que ele ensinou segundo a sua própria iluminação, Daishonin afirma que o primeiro é fácil de crer e compreender, enquanto que o último é o mais difícil de crer e compreender. Entretanto, ele adiciona, o Sutra de Lótus é o único ensino através do qual uma pessoa pode remover a escuridão inerente à vida.
Finalmente, Daishonin afirma que, como o povo japonês acreditou nos ensinos desencaminhadores de Kobo e outros bonzos, a confusão reinou no mundo do Budismo e, consequentemente, a sociedade mergulhou em grande dificuldades. Ele enfatiza que o verdadeiro Budismo é a base da paz e prosperidade no país. Ele afirma: "O Budismo é como o corpo e a sociedade como a sombra. Quando o corpo de curva, assim o faz a sombra." Ele conclui que os seguidors de Nitiren Daishonin podem atingir a iluminação porque eles crêem no verdadeiro ensino do Buda, enquanto que intelectuais e outras pessoas que acreditam em ensinos expostos segundo a capacidade do povo somente mergulharão no mar de sofrimentos.

http://www.vertex.com.br/users/san/goshos

A árvore dos problemas

Esta é uma história de um homem que contratou um carpinteiro para ajudar a arrumar algumas coisas na sua fazenda.
O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu da seu carro furou e ele deixou de ganhar uma hora de trabalho. A sua serra elétrica quebrou, ele cortou o dedo, e finalmente, no final do dia, o seu carro não funcionou.
O homem que contratou o carpinteiro ofereceu uma carona para casa e, durante o caminho, o carpinteiro não falou nada.

Quando chegaram a sua casa, o carpinteiro convidou o homem para entrar e conhecer a sua família. Quando os dois homens estavam se encaminhando para a porta da frente, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com as duas mãos. Depois de abrir a porta da sua casa, o carpinteiro transformou-se. Os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso, e ele abraçou os seus filhos e beijou a sua esposa.

Um pouco mais tarde, o carpinteiro acompanhou a sua visita até o carro. Assim que eles passaram pela árvore, o homem perguntou por que ele havia tocado na planta antes de entrar em casa.

"Ah", respondeu o carpinteiro, "esta é a minha planta dos problemas.

"Eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho, mas estes problemas não devem chegar até os meus filhos e minha esposa. Então, toda noite, eu deixo os meus problemas nesta árvore quando chego em casa, e os pego no dia seguinte."

"E você quer saber de uma coisa? Toda manhã, quando eu volto para buscar os meus problemas, eles não são nem metade do que eu me lembro de ter deixado na noite anterior..."

Autor desconhecido
Preciosa Colaboração de
afonteles@uol.com.br

Deuses Budistas

Em setembro, dois fatos marcaram a vida do Buda Original Nitiren Daishonin. Em 12 de setembro de 1271, Hei-no Saemon aprisionou Daishonin e conduziu-o a Tatsunokuti a fim de decapitá-lo. No momento da execução, um enorme corpo luminoso voou pelo céu, tornando o local tão claro como o dia e cegando o carrasco. Os guerreiros, aterrorizados, não foram capazes de cumprir seu intento. Esse episódio tornou-se conhecido posteriormente como a Perseguição de Tatsunokuti, ocasião em que Daishonin revelou sua identidade de Buda.

O segundo foi a Perseguição de Atsuhara, ocorrida no início de setembro de 1279, quando bonzos heréticos, com o apoio dos oficiais do regime Hojo, atacaram seguidores de Nitiren Daishonin. Vinte lavradores foram presos e torturados para fazê-los abandonar a fé no Verdadeiro Budismo, sendo que três foram mortos. Porém todos, se mantiveram resolutos. Ouvindo sobre esses crentes que, mesmo ao custo da própria vida, lutaram para defender sua fé, Daishonin entendeu que era chegada a época de concretizar o propósito de seu advento neste mundo inscrevendo o Dai-Gohonzon.

O surgimento do corpo luminoso na Perseguição de Tatsunokuti pode ser associado nos dias atuais a um meteoro ou a qualquer tipo de fragmento que constantemente cai ou passa por nosso planeta. Entretanto, como consta na escritura “Comportamento do Buda”, quando era conduzido para o local da execução, Daishonin afirmou numa voz sonora: “Bodhisattva Hatiman, sois verdadeiramente um deus? Quando Wake-no Kiyomaro estava para ser decapitado, vós aparecestes como uma lua de trinta pés de diâmetro. Quando Dengyo, o Grande, fez preleções sobre o Sutra de Lótus, vós lhe concedestes uma sobrepeliz púrpura. Agora, eu, Nitiren, sou o maior devoto do Sutra de Lótus no Japão. Não sou culpado de nada. Vim expondo a Lei para impedir que todos os japoneses caíssem no inferno dos incessantes sofrimentos, ao qual já estão condenados por causa de sua calúnia contra o Sutra de Lótus. Enquanto isso, se o império mongol atacar este país, como poderão os deuses budistas tais como Tensho Daijin e Hatiman permanecer sãos e salvos? E mais, quando o Buda Sakyamuni expôs o Sutra de Lótus, havia uma grande assembléia com Taho e todos os outros budas e bodhisattvas que pareciam como se fossem muitos sóis, luas, estrelas e espelhos. Na presença dos budas e deuses da Índia, China e Japão, o Lorde Buda solicitou a todos os deuses budistas jurar proteger o devoto do Sutra de Lótus sem a mínima negligência. Cada um de vós, deuses budistas, obedeceu ao seu decreto. Agora, por que quando eu, Nitiren, protesto contra vós, não estais aqui para cumprir vosso juramento imediatamente?” (END, vol. 1, pág. 161.)

A aparição do corpo luminoso não foi apenas uma coincidência. Daishonin, como devoto do Sutra de Lótus, havia cumprido as profecias descritas por Sakyamuni, preocupando-se constantemente com a felicidade das pessoas. Portanto, era natural que Daishonin convocasse a proteção dos deuses budistas, o que acabou se confirmando com o surgimento do corpo luminoso, amedrontando os perseguidores.

Em relação a essa passagem, pode ocorrer a seguinte dúvida: “Qual a relação entre os deuses budistas, citados em várias passagens do Gosho (as escrituras de Daishonin) e nas orientações do presidente Ikeda, e o Nam-myoho-rengue-kyo, uma vez que este é considerado como a suprema entidade do Universo?”

Como explicado na matéria da reunião de palestra do último mês, o Budismo de Nitiren Daishonin não acredita na existência de deuses. Os vários deuses budistas citados nesse ensino, como Bonten, Taishaku, Nitten, Gatten e os Quatro Reis Celestes, são considerados como funções da natureza e do Universo e, portanto, manifestações do Nam-myoho-rengue-kyo.

Na Cerimônia no Ar, uma alegoria contada no Sutra de Lótus, os budas e bodhisattvas comprometem-se a proteger os seguidores do Verdadeiro Budismo. Do ponto de vista da filosofia de Nitiren Daishonin, a proteção dos “deuses budistas” significa que as pessoas, ao harmonizarem sua vida à lei cósmica do Nam-myoho-rengue-kyo, criam condições favoráveis em seu ambiente. Em outras palavras, significa que as funções dos deuses budistas estão contidas no próprio Nam-myoho-rengue-kyo. Além disso, as funções representadas pelos deuses estão contidas na vida das pessoas, as quais se manifestam pela recitação do Gongyo e do Daimoku. Por essa razão, o presidente Toda disse certa ocasião: “Quando nos voltamos para o Leste e saudamos os deuses budistas, então imediatamente os deuses budistas inerentes em nosso próprio coração elevam-se pelo Universo. Quando nos voltamos para o Gohonzon, na segunda oração, todos os deuses budistas ocupam seus lugares atrás de nós. Se eu fosse saudar os deuses budistas exatamente agora, então, desconsiderando se é noite ou dia, todos tomariam seus lugares atrás de mim e saudariam o Gohonzon. E esses deuses budistas atuariam para concretizar meu desejo. Assim está determinado.” (Apostila do Exame de Budismo 2000, págs. 72–73.)

Quando falamos de Nitten e Gatten, os deuses do Sol e da Lua, não queremos dizer que há um “deus do Sol” e um “deus da Lua”, mas que esses dois astros, o Sol e a Lua, possuem um papel fundamental para a sobrevivência dos seres vivos e o equilíbrio da natureza no planeta Terra. Quando somos afetados por um longo período de estiagem, a produção agrícola e, em conseqüência, a própria sobrevivência dos seres vivos, são afetados. Quanto mais as pessoas estiverem recitando o Nam-myoho-rengue-kyo, mais os “deuses budistas”, ou seja, o Universo e o ambiente, trabalharão para a harmonia e felicidade de cada pessoa.

Como protagonistas do Kossen-rufu e responsáveis pela harmonia em nosso ambiente, vamos nos empenhar constantemente e comprovar as palavras do presidente Ikeda: “Se trabalharmos arduamente para protegermos e incentivarmos mil companheiros, mil deuses budistas nos protegerão. Se protegermos dez mil companheiros, dez mil deuses budistas nos protegerão. Se manipularmos nossos membros para nossos próprios objetivos egoístas, então os deuses budistas virarão as costas para nós existência após existência.” (Brasil Seikyo, edição nº 1449, 21 de fevereiro de 1998, pág. 3.)
Em setembro, dois fatos marcaram a vida do Buda Original Nitiren Daishonin. Em 12 de setembro de 1271, Hei-no Saemon aprisionou Daishonin e conduziu-o a Tatsunokuti a fim de decapitá-lo. No momento da execução, um enorme corpo luminoso voou pelo céu, tornando o local tão claro como o dia e cegando o carrasco. Os guerreiros, aterrorizados, não foram capazes de cumprir seu intento. Esse episódio tornou-se conhecido posteriormente como a Perseguição de Tatsunokuti, ocasião em que Daishonin revelou sua identidade de Buda.

O segundo foi a Perseguição de Atsuhara, ocorrida no início de setembro de 1279, quando bonzos heréticos, com o apoio dos oficiais do regime Hojo, atacaram seguidores de Nitiren Daishonin. Vinte lavradores foram presos e torturados para fazê-los abandonar a fé no Verdadeiro Budismo, sendo que três foram mortos. Porém todos, se mantiveram resolutos. Ouvindo sobre esses crentes que, mesmo ao custo da própria vida, lutaram para defender sua fé, Daishonin entendeu que era chegada a época de concretizar o propósito de seu advento neste mundo inscrevendo o Dai-Gohonzon.

O surgimento do corpo luminoso na Perseguição de Tatsunokuti pode ser associado nos dias atuais a um meteoro ou a qualquer tipo de fragmento que constantemente cai ou passa por nosso planeta. Entretanto, como consta na escritura “Comportamento do Buda”, quando era conduzido para o local da execução, Daishonin afirmou numa voz sonora: “Bodhisattva Hatiman, sois verdadeiramente um deus? Quando Wake-no Kiyomaro estava para ser decapitado, vós aparecestes como uma lua de trinta pés de diâmetro. Quando Dengyo, o Grande, fez preleções sobre o Sutra de Lótus, vós lhe concedestes uma sobrepeliz púrpura. Agora, eu, Nitiren, sou o maior devoto do Sutra de Lótus no Japão. Não sou culpado de nada. Vim expondo a Lei para impedir que todos os japoneses caíssem no inferno dos incessantes sofrimentos, ao qual já estão condenados por causa de sua calúnia contra o Sutra de Lótus. Enquanto isso, se o império mongol atacar este país, como poderão os deuses budistas tais como Tensho Daijin e Hatiman permanecer sãos e salvos? E mais, quando o Buda Sakyamuni expôs o Sutra de Lótus, havia uma grande assembléia com Taho e todos os outros budas e bodhisattvas que pareciam como se fossem muitos sóis, luas, estrelas e espelhos. Na presença dos budas e deuses da Índia, China e Japão, o Lorde Buda solicitou a todos os deuses budistas jurar proteger o devoto do Sutra de Lótus sem a mínima negligência. Cada um de vós, deuses budistas, obedeceu ao seu decreto. Agora, por que quando eu, Nitiren, protesto contra vós, não estais aqui para cumprir vosso juramento imediatamente?” (END, vol. 1, pág. 161.)

A aparição do corpo luminoso não foi apenas uma coincidência. Daishonin, como devoto do Sutra de Lótus, havia cumprido as profecias descritas por Sakyamuni, preocupando-se constantemente com a felicidade das pessoas. Portanto, era natural que Daishonin convocasse a proteção dos deuses budistas, o que acabou se confirmando com o surgimento do corpo luminoso, amedrontando os perseguidores.

Em relação a essa passagem, pode ocorrer a seguinte dúvida: “Qual a relação entre os deuses budistas, citados em várias passagens do Gosho (as escrituras de Daishonin) e nas orientações do presidente Ikeda, e o Nam-myoho-rengue-kyo, uma vez que este é considerado como a suprema entidade do Universo?”

Como explicado na matéria da reunião de palestra do último mês, o Budismo de Nitiren Daishonin não acredita na existência de deuses. Os vários deuses budistas citados nesse ensino, como Bonten, Taishaku, Nitten, Gatten e os Quatro Reis Celestes, são considerados como funções da natureza e do Universo e, portanto, manifestações do Nam-myoho-rengue-kyo.

Na Cerimônia no Ar, uma alegoria contada no Sutra de Lótus, os budas e bodhisattvas comprometem-se a proteger os seguidores do Verdadeiro Budismo. Do ponto de vista da filosofia de Nitiren Daishonin, a proteção dos “deuses budistas” significa que as pessoas, ao harmonizarem sua vida à lei cósmica do Nam-myoho-rengue-kyo, criam condições favoráveis em seu ambiente. Em outras palavras, significa que as funções dos deuses budistas estão contidas no próprio Nam-myoho-rengue-kyo. Além disso, as funções representadas pelos deuses estão contidas na vida das pessoas, as quais se manifestam pela recitação do Gongyo e do Daimoku. Por essa razão, o presidente Toda disse certa ocasião: “Quando nos voltamos para o Leste e saudamos os deuses budistas, então imediatamente os deuses budistas inerentes em nosso próprio coração elevam-se pelo Universo. Quando nos voltamos para o Gohonzon, na segunda oração, todos os deuses budistas ocupam seus lugares atrás de nós. Se eu fosse saudar os deuses budistas exatamente agora, então, desconsiderando se é noite ou dia, todos tomariam seus lugares atrás de mim e saudariam o Gohonzon. E esses deuses budistas atuariam para concretizar meu desejo. Assim está determinado.” (Apostila do Exame de Budismo 2000, págs. 72–73.)

Quando falamos de Nitten e Gatten, os deuses do Sol e da Lua, não queremos dizer que há um “deus do Sol” e um “deus da Lua”, mas que esses dois astros, o Sol e a Lua, possuem um papel fundamental para a sobrevivência dos seres vivos e o equilíbrio da natureza no planeta Terra. Quando somos afetados por um longo período de estiagem, a produção agrícola e, em conseqüência, a própria sobrevivência dos seres vivos, são afetados. Quanto mais as pessoas estiverem recitando o Nam-myoho-rengue-kyo, mais os “deuses budistas”, ou seja, o Universo e o ambiente, trabalharão para a harmonia e felicidade de cada pessoa.

Como protagonistas do Kossen-rufu e responsáveis pela harmonia em nosso ambiente, vamos nos empenhar constantemente e comprovar as palavras do presidente Ikeda: “Se trabalharmos arduamente para protegermos e incentivarmos mil companheiros, mil deuses budistas nos protegerão. Se protegermos dez mil companheiros, dez mil deuses budistas nos protegerão. Se manipularmos nossos membros para nossos próprios objetivos egoístas, então os deuses budistas virarão as costas para nós existência após existência.” (Brasil Seikyo, edição nº 1449, 21 de fevereiro de 1998, pág. 3.)



(Brasil Seikyo, edição nº 1569, 26/08/2000, página C1.)

A força que cria, nutre e mantém a vida


A energia constitui o substrato básico do Universo.


Na física, energia é a propriedade de um sistema que lhe permite realizar um trabalho, podendo ser manifestada de várias formas (calorífica, cinética, elétrica, eletromagnética, mecânica, potencial, química, radiante) transformáveis umas nas outras. A energia não é criada, é transformada.

Esse infindável sistema de energia satura todas as coisas no Universo, animadas e inanimadas, envolvendo tudo num eterno processo de transformação, propagação e interação.

O budismo interpreta todo o Universo como uma única grande força vital e a chama de Nam-myoho-rengue-kyo — a Lei que rege e preserva a harmonia em todo o mundo fenomenal. Na obra Vida — Um Enigma, uma Jóia Preciosa, o autor Daisaku Ikeda afirma: “No mais profundo interior de todos os seres, existe a primacial força que faz com que vivam. A mesma força suporta a matéria inorgânica no sistema de harmonias e ritmos da grande existência cósmica. No budismo, essa força total é denominada por muitos nomes, porém o mais apropriado é Myoho, a Lei Mística. Essa é a energia de que precisa toda vida, que cria e recria a existência, tanto a espiritual como a material.

“Quando essa força se manifesta no mundo físico, aparece como um sistema que governa o mundo inorgânico, que torna possível a composição química e que controla as pulsações do Universo. Em outras palavras, as leis da física, da química e da astronomia são simplesmente particulares manifestações fenomenológicas da Lei Mística do cosmo. Da mesma forma, a força vital cria o mundo do espírito, cria a inteligência, dá força aos desejos e aos instintos e, assim, produz todas as variações da atividade mental e espiritual. É o que em outras religiões é chamado de Deus, mas diferente da Divindade Maior pelo fato de ser perfeitamente imanente no cosmo e na vida humana. Não é uma força fora do Universo. É o próprio cosmo. A verdadeira natureza do cosmo e da vida é a fusão das leis física e espiritual da vida. É o processo que cria a existência e a faz desdobrar-se infinitamente.”1

Tanto a energia física como a espiritual são faces diferentes da mesma energia primordial que sustenta todas as funções do Universo. Essa energia, em termos budistas, é chamada de energia vital. Falar em energia vital equivale a falarmos da essência fundamental do ser humano, assim como de todos os outros seres e do próprio Universo. Ao realizarmos a prática budista, verificamos de forma efetiva como podemos manifestar essa energia contida em nosso interior. A recitação do Nam-myoho-rengue-kyo ao Gohonzon é a prática revelada por Nitiren Daishonin para que possamos evidenciar esse potencial inerente em nós.




Energia criativa ou destrutiva, positiva ou negativa: Como direcionar nossa energia




As ciências têm comprovado que os seres humanos utilizam uma pequena parte de seu potencial cerebral. Da mesma forma, muitas vezes, as pessoas não se dão conta da enorme quantidade de energia que possuem interiormente, limitando suas ações ao enfrentarem dificuldades e problemas. Em vez de reagirem, são arrastadas pelo pessimismo e acabam sucumbindo ao estresse, à depressão ou a outros males.

Para aumentar a energia física podemos nos valer de uma alimentação rica e saudável ou então exercitar o corpo. Mas, e quanto à nossa energia espiritual?

O objetivo da prática budista é elevar nosso estado de vida para que possamos canalizar nossas energias de forma plena e benéfica, tanto para nós próprios como para os outros.A energia interior de cada pessoa poderia ser comparada a um potente motor de um carro, mas que depende das rodas, que representam a ação concreta, e do sistema de direção, que corresponde à sabedoria inata. Dessa forma, a diferença entre uma existência envolvida somente em sofrimentos e ilusões e uma vida conscientemente direcionada para a felicidade de si e das demais está na ampla manifestação da energia interior e, mais que isso, do seu correto direcionamento. Sobre essa questão, Daisaku Ikeda comenta: “Somos livres para escolher o caminho e a habilidade para seguir o certo é inata ao homem. A questão é como desenvolver a sabedoria potencial inerente à nossa força vital, a fim de que funcione para a existência e a criatividade no Universo. Se um ser humano possuir a habilidade para amar e confiar, mas se for fraca a força motivadora dentro dele, não estará apto a influenciar outros seres humanos quanto mais a vida humana como um todo. Em contrapartida, se uma pessoa tiver uma poderosa força motivadora, mas for assaltada pela dúvida, a suspeição e o antagonismo com relação a outras pessoas, será capaz de destruir a si própria e à vida humana como um todo. Quando descobrirmos como empregar a nossa força vital para a criação e apoio à existência — tanto no nível humano como no cósmico — e quando descobrirmos como viver em verdadeira harmonia com o Universo, a filosofia da unidade entre a vida com o Universo, a filosofia da unidade entre a vida subjetiva e o meio ambiente objetivo se tornará a grande e prática sabedoria da humanidade.”2




A energia vital, os dez mundos e os dez fatores




No budismo há os conceitos chamados de dez mundos (jikkai, em japonês) e dez fatores da vida (junyoze). Os dez mundos, conhecidos também como dez estados ou condições da vida, são: Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva e estado de Buda. Os dez fatores oferecem uma maneira de examinar e compreender qualquer condição momentânea da vida na sua forma verdadeira, quer esteja no estado de Inferno ou no de Alegria, ou em qualquer outro dos dez mundos. Eles esclarecem os elementos que se combinam para que mudemos.

Os dez fatores são: Aparência (nyoze-so), natureza (nyoze-sho), entidade (nyoze-tai), poder (nyoze-riki), influência (nyoze-sa), causa interna ou inerente (nyoze-in), causa externa ou relação (nyoze-en), efeito latente (nyoza-ka), efeito manifesto (nyoze-ho) e consistência do início ao fim (nyoze-honma-kukyoto).

Enfatizaremos aqui o quarto fator, o poder. Trata-se da força interior com a qual a vida é inerentemente dotada. É a energia em potencial que pode ser usada na direção da circunvizinhança de uma pessoa, ou seja, é a força de motivação da vida de um indivíduo.

A energia vital se manifesta de acordo com os dez mundos permanentemente em mutação. Assim, ela aumenta em intensidade e se aperfeiçoa qualitativamente dos mais baixos aos mais altos estados da vida. Por exemplo, no estado de Inferno, uma pessoa possui pouca força motivadora que na maioria das vezes é usada contra sua própria vida ou de outras. Trata-se pois de um potencial destrutivo. No estado de Ira, a força motivadora é evidenciada pela sede do poder. Nos estados superiores, como os de Bodhisattva e Buda, essa força manifesta-se na forma de benevolência. No estado de Buda essa benevolência é capaz de englobar todas as outras energias dirigindo-as a propósitos elevados como aliviar o sofrimento de outras pessoas.

Em síntese, quanto mais elevamos nosso estado de vida, mais energia ou força motivadora acumulamos e, conforme observamos, a benevolência é a fonte fundamental de energia.




O que ocorre com a energia de uma pessoa após a morte




Quando estamos vivos a energia nos mantém unos ao cosmos e, ao falecermos, torna-se a força que nos garante o renascimento.

As ações que realizamos em vida são portanto fundamentais para o renascimento. Após a morte, a energia permanece latente.

A esse respeito, Daisaku Ikeda comenta: “Muitas pessoas me perguntam se não há nada que uma pessoa morta possa fazer para influenciar sua própria existência. A resposta, receio, é não. O eu em estado de morte (de kuu) é totalmente incapaz de automotivação. (...)

“O budismo reconhece um — e somente um — meio pelo qual uma pessoa em estado de morte pode aperfeiçoar-se. É através das ações dos vivos. Embora não nos possamos comunicar com os mortos ou intimá-los a voltar à vida por um passe de mágica, é nos possível — com a nossa própria prática do budismo — arrancar a energia da vida cósmica e transferi-la aos amados falecidos. (...)

“Quanto mais energia a vida dormente recebe por esse meio, maior é o potencial para a remanifestação como ser vivo, possivelmente até num estado mais alto de existência do que o de antes do falecimento.”3

A recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e as ações altruísticas são o que possibilitam ao praticante budista acumular energia vital para enfrentar as dificuldades e realizar suas atividades diárias.
Notas: 1. Daisaku Ikeda, Vida — Um Enigma, uma Jóia Preciosa. Editora Record, pág. 28. 2. Ibidem, pág. 49. 3. Ibidem, págs. 238–239.




MARÇO DE 2002 — EDIÇÃO Nº 403

NÃO ESQUECER NUNCA

"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover em direção ao seu desejo. No momento em que você resolve ser vitorioso(a), cada nervo e cada fibra de seu corpo começam imediatamente a orientar-se, eles próprios, em direção ao seu sucesso. Por outro lado, se você pensa que " isto nunca vai acontecer," neste mesmo momento, cada célula de seu corpo será deflacionada e parará de lutar. Então, tudo se moverá em direção ao fracasso.”

A SUA REVOLUÇÃO HUMANA RESIDE ONDE VOCÊ ATUA.

As pessoas tendem a atribuir sua boa sorte ou infortúnio a algo ou alguém fora de si mesmo. De acordo com a filosofia de vida de Nitiren Daishonin, as causas fundamentais da boa sorte e dos infortúnios são encontradas dentro da própia vida da pessoa. Se alguém enfrenta todas as experiências com a determinação de aprender e crescer com elas, sua vida acumulará boa sorte e essa pessoa poderá tornar-se a mais feliz.

Mas se guarda a ira ou o ódio para com todos a sua volta, isso produzirá a infelicidade e miséria em sua própria vida.

É um fato da vida que mudanças e determinações invisíveis nas profundezas da vida de uma pessoa sempre produziram efeitos visíveis.

O presidente Ikeda afirma: A verdadeira religião jamais se distancia ou se isola da sociedade, e muito menos prega belas teorias de fantasia que divergem da realidade; ao contrário, ela se dispõe a se enraizar profundamente no mundo real.

O budismo de Nitiren Daishonin é verdadeiramente a grandiosa lei para se viver e sobreviver em meio à rigorosa realidade. Por esta razão, vivemos construindo uma história de sólida prosperidade e de concretas comprovações, como resultado da corajosa ação embasada no princípio de que a prática da fé é a própria vida diária, sempre com a disposição de viver “em meio ao ser humano”, “em meio à vida diária”, em meio à sociedade”, “em meio ao povo”. Aí encontra-se o ponto fundamental do budismo de Nitirem Daishonin e também a essência e o florescimento da nossa prática da fé.

A revolução humana que tanto falamos não é esperarmos a mudança de outra pessoa. É antes de mais nada, uma luta para a transformação de si mesmo. Através da realização progressiva da revolução humana com base na prática da fé é que conseguimos pela primeira vez causar a mesma mudança nas pessoas. Se você transformar a si mesmo, o seu ambiente e as pessoas de sua vizinhança também transformarão. Mesmo falando em revolução humana é necessário enfrentar e vencer severas adversidades para poder abrir o pesado portal da vida e daí fazer fluir a energia vital.

Todo o ambiente ou circunstância em que vivemos é o local da realização de nossa revolução humana. Tomar consciência desse ponto é fundamental. De nada adianta fugir da realidade em que vive e busca esperanças em algum lugar distante de si mesmo. A revolução humana significa estabelecer uma visão de vida e realizar um acabamento perfeito de si mesmo. Todos nós possuímos uma certa visão da vida ou da sociedade. Em outras palavras, é realizar uma mudança na maneira de viver até então. De um pequeno ou razoável objetivo de vida para um grandioso e sublime objetivo, ou seja, o estabelecimento da visão perfeita e inabalável da vida.