"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

23 de mar de 2011

Os quatro poderes

Os quatro poderes

Edição 2076 - Publicado em 19/Março/2011 - Página A6

A garantia de resposta das orações

O que são os quatro poderes?
No Budismo Nitiren, os quatro poderes são: o poder do Buda, o poder da Lei, o poder da fé e o poder da prática.
Cada qual no seu lugar
Os poderes do Buda e da Lei estão representados no Gohonzon. E os poderes da fé e da prática são exercidos pelo praticante.
Para que servem?
A interação entre os quatro poderes garante a resposta das orações de uma pessoa e a capacita a atingir a iluminação.
O poder do Buda
Representa a benevolência do Buda de salvar todas as pessoas.
O poder da Lei
Indica a ilimitada força da Lei Mística de conduzir todas as pessoas à iluminação.
Um exemplo
Imagine a seguinte situação: uma pessoa está sofrendo por uma determinada circunstância. Ela sente que não tem força para vencer o rigor das dificuldades e não consegue enxergar soluções. Todas as portas estão fechadas.
A função do poder do Buda
Mesmo que a pessoa não seja um modelo e não tenha feito tudo certo, devido à benevolência do Buda ela é capaz de manifestar a mesma condição que a dele por ter contato direto com a Lei. Esse poder possibilita que independentemente das circunstâncias em que ela se encontre ou do seu passado, suas orações serão respondidas. É garantido que ela transformará a própria vida numa vida maravilhosa e recheada de boa sorte.
A função do poder da Lei
Mesmo que essa pessoa ache que não tem força para mudar, uma vez que ela recita o Daimoku e se dedica ao Kossen-rufu, o caminho da iluminação está aberto. Porque, por meio de suas orações e de suas ações, a força da Lei Mística torna-se manifesta em sua vida diária e tudo passa a ser motivo de alegria e fonte de energia e boa sorte.
Confie com todo seu coração
“Esse Gohonzon é o coração do Sutra de Lótus e os olhos de todas as escrituras. É como o Sol e a Lua no céu, um poderoso governante na Terra, o coração num ser humano, a joia da concessão dos desejos entre os tesouros e o pilar de uma casa. Quando se abraça este mandala, todos os budas e deuses juntam-se ao redor da pessoa, acompanhando-a como uma sombra, e protegem-na dia e noite, como guerreiros guardam seu soberano, como pais amam seus filhos, como o peixe precisa da água, como as árvores e plantas anseiam por chuva, ou como os pássaros dependem das árvores. Deve confiar no mesmo com todo o seu coração.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. V, pág. 273.)
E como ativar os poderes do Buda e da Lei?
Por meio dos poderes da fé e da prática.
O poder da fé
Refere-se à fé capaz de manifestar a sabedoria dos budas. A fé no Gohonzon.
Que tipo de fé?
O presidente Ikeda orienta: ”O Buda ora pela felicidade de todos os seres vivos. Ele luta para trazer felicidade para todos os seres. Ele é um pai para todos os seres. Quando depositamos nossa fé no desejo do Buda, nossa própria sabedoria desperta e floresce”. (BS, edição no 1.385, 5 de outubro de 1996, pág. 4)
Fé no Gohonzon
O que representa o Desejo do Buda de conduzir todos os seres à felicidade? O Gohonzon. Depositar fé no Desejo do Buda é ter fé no Gohonzon. Este é o poder da fé. E essa fé ideal se manifesta de duas formas: a oração e o Chakubuku, que constituem o poder da prática.
Ainda sobre a fé
No Gosho “A Herança da Lei Última da vida” Nitiren Daishonin escreve: “Determine extrair o grande poder da fé e recite o Nam-myoho-rengue-kyo com a convicção de que sua fé será firme e correta no momento de sua morte. Jamais busque nenhum outro caminho para herdar a suprema Lei da vida e da morte, mas manifeste-a em sua própria vida. Somente quando agir assim compreenderá que os desejos mundanos são iluminação e que os sofrimentos do nascimento e da morte são nirvana. Sem a herança da fé, mesmo o ato de abraçar o Sutra de Lótus será inútil”. (END, vol. 3, pág. 179)
Uma fé inabalável
No romance Nova Revolução Humana, consta: “Quanto mais forte for a nossa fé, maior será a proteção das funções budistas. No Gohonzon estão contidos os poderes do Buda e da Lei. E os benefícios desses poderes são extraídos por meio da nossa fé e da nossa prática, isto é, dos poderes da fé e da prática. Entretanto, existem pessoas que praticam, mas no fundo duvidam que seus objetivos sejam concretizados. Uma vez que oram com dúvidas, naturalmente nada se torna possível. O fator principal para produzir os benefícios é a inabalável fé no Gohonzon, além da gratidão, sinceridade e determinação. Diante do poder benéfico do Gohonzon, seus pedidos ainda são pequenos. Por isso, empenhem-se ainda mais na prática da fé e desfrutem grandes benefícios”. (BS, edição no 1.706, 5 de julho de 2003, pág. A7)
O poder da prática
O poder da prática é recitar o Nam-myoho-rengue-kyo para si e ensiná-lo aos outros. Em outras palavras, é a prática para si e a prática para os outros.
A interação dos quatro
Quando uma pessoa é capaz de manifestar o poder da fé e da prática, ela se torna capaz de invocar os poderes da Lei e do Buda incorporados no Gohonzon. É por meio dessa interação dos quatro poderes que as orações ao Gohonzon são concretizadas.
A fonte da transformação
O presidente Ikeda observa: “A fonte dessa grandiosa transformação não se encontra em nenhum outro lugar a não ser num radical aprofundamento de nossa própria oração ao Gohonzon. Orar ao Gohonzon é totalmente diferente de uma fé dependente e suplicante; nós não imploramos a alguém por salvação ou ajuda de forma passiva e fraca. A oração no Budismo Nitiren é fundamentalmente um juramento. É o juramento ou o compromisso de seguir o curso de ação escolhido; é uma afirmação de desafiar um objetivo claro. Assim, como poderia haver algo mais maravilhoso que o juramento de concretizar a própria revolução humana e realizar o Kossen-rufu com seu objetivo pela paz mundial?” (Brasil Seikyo, edição no 1.839, 15 de março de 2004, pág. A3.)
Resumindo
No romance Nova Revolução Humana consta o seguinte incentivo a uma mãe, cuja a filha não conseguia falar: “Não se preocupe. Se continuar a se empenhar com sinceridade na prática da fé, a sua filha certamente conseguirá falar. É claro que isso depende da intensidade de sua fé. Um conto japonês diz que, por maior que seja um sino dependurado, o seu som dependerá do bastão utilizado para batê-lo. Se o tocar com toda a força com uma grande tora de madeira, o som produzido será certamente muito forte. Ao contrário, se o bater com um palito de fósforo ou com hashi (pauzinhos utilizados para comer), seu som será muito fraco. Da mesma forma, embora o Gohonzon encerre o imensurável poder do Buda e o poder da Lei, se os nossos poderes da fé e da prática forem tão frágeis como palitos de fósforo a baterem o sino, não conseguiremos extrair os grandes benefícios do Gohonzon. Entretanto, se a senhora empenhar todas as suas forças na prática do Budismo, conseguirá infalivelmente concretizar a transformação do destino e a sua filha certamente irá melhorar. Por isso mesmo, jamais seja derrotada pelos seus sentimentos e lute até conseguir a vitória”. (NRH, vol. 1, pág. 157)
Conclusão
Ore com a certeza de que os dois poderes estão no Gohonzon. Por meio do seu estado de vida elevado, que se manifesta a partir desta oração, encoraje os outros a fazer o mesmo.

UON GANJO

Edição 2083 - Publicado em 14/Maio/2011 - Página A6

O momento de atingir a iluminação é sempre AGORA

O que é?
Kuon significa remoto passado e ganjo, o início de tudo. Juntos, kuon ganjo significa o “tempo sem início”.
Kuon ganjo
Apesar de possuir a palavra “tempo” em sua tradução, este princípio não se refere a uma medida de tempo. O presidente Ikeda afirma: “Kuon ganjo é outro nome para a vida que não tem início nem fim. Não se refere à doutrina do tempo, mas sim à doutrina da vida” (Brasil Seikyo, edição nº 1.542, 5 de fevereiro de 2000, p. 4).
O Mestre continua
“A verdade que se encontra nas profundezas da vida, a verdade do Universo que atua incessantemente, é chamada kuon ganjo. [...] Nitiren Daishonin diz: ‘Kuon significa o que não foi criado nem adornado, mas que permanece em seu estado original’. O que ‘não foi criado’ significa inerentemente dotado e não indica um momento específico no tempo” (Ibidem).
Estado eterno
Kuon ganjo é o estado original da vida e é eterno. Este estado original é o estado de Buda inerente na vida de todos os seres.
Aqui e agora
Kuon ganjo não é um tempo remoto, nem de longa duração, pois não tem nada a ver com tempo. Kuon ganjo representa a eternidade que existe sempre no presente.
Kuon ganjo x lei geral de causa e efeito
Kuon ganjo é um conceito que transcende a ideia de “causas e efeitos acontecendo numa sequência no tempo” e dá meios para qualquer ser humano atingir o estado de Buda, imediatamente, no momento presente.
Cada dia é kuon ganjo
“Kuon significa Nam-myoho-rengue-kyo; significa Gohonzon. O exato instante em que oramos ao Gohonzon é kuon ganjo; é o tempo sem início. Para nós, cada dia é kuon ganjo. Podemos fazer a cada dia com que a vida suprema, pura e eterna de kuon ganjo se manifeste de todo nosso ser. Damos a cada dia uma nova partida de kuon ganjo, o ponto de partida da vida” (Ibidem, edição no 1.542, 5 de fevereiro de 2000, p. 4).
Não faça do passado seu objeto de devoção
Muitos tendem a viver apenas baseados no passado. Fazendo dele [passado] seu objeto de devoção, direcionam as orações somente para transformar as causas passadas e se esquecem do presente. Agindo como se dirigissem um carro pelo retrovisor. Em contraste, kuon ganjo desperta a pessoa para a importância do presente, como momento de transformação.
O presidente Toda disse:
“Todas as nossas ações estão totalmente contidas em nossa vida. É por isso que o Budismo é tão importante. (...) Não podemos escapar assim tão facilmente de nosso passado. ‘Por que sou pobre?’ ‘Por que nasci assim?’ ‘Por que meus negócios estão falindo apesar de eu trabalhar o máximo que posso?’ A resposta para todas essas perguntas encontra-se em nossas vidas passadas.
Apesar de as causas encontrarem-se em existências passadas, o Budismo Nitiren ensina como romper esses obstáculos” (Brasil Seikyo, edição no 1.520, 21 de agosto de 1999, p. 3).
Ele continua:
“Ao observar nossa vida de um ponto de vista fisiológico, durante muitos anos cada célula de nosso corpo é substituída, do centro do globo ocular até a medula dos ossos. Isso é reconhecido pela ciência médica. Com base nisso, vocês talvez argumentem que não podem se responsabilizar por uma dívida contraída cinco anos atrás. Mas, apesar de sermos absolvidos de nossas dívidas, o cobrador aparecerá sem falha. Da mesma forma, não temos outra escolha a não ser assumir a responsabilidade por nossos atos do passado” (Ibidem).
Ele conclui:
“Apesar de conseguirmos compreender isso de um ponto de vista lógico, quando estamos diante de um problema real ficamos perdidos. Em relação a isso, Nitiren Daishonin diz que aqueles que oram ao Gohonzon, embora sejam pessoas de pouca virtude ou que cometeram grandes ofensas no passado, serão completamente absolvidos e receberão os mesmos efeitos como se tivessem feito muitas boas causas no passado” (Ibidem).
O momento presente é o que importa
O presidente Ikeda afirma: “Essa é a razão de o momento presente ser muito importante. Não devemos viver no passado; não há nenhuma necessidade disso. Aqueles que se empenham totalmente no momento presente e têm uma grande e ardente esperança no futuro são as pessoas verdadeiramente sábias na arte de viver” (Ibidem, edição no 1.542, 5 de fevereiro de 2000, p. 4).
O Buda de kuon ganjo
Nitiren Daishonin é conhecido como Buda original porque sua iluminação se baseia nesse estado original. Esse estado se refere diretamente à Lei Mística, a origem da iluminação de todos os Budas. Por revelar esta Lei, ele é o Buda de kuon ganjo.
O que significa Buda de kuon ganjo?
“O Buda do tempo sem início, ou kuon ganjo, o buda que existe eternamente sem início ou fim é a própria vida do universo. É o constante e incessante trabalho de conduzir todas as pessoas à iluminação, sem um instante de pausa. De fato, esse buda eterno e nós próprios somos um só. Isso significa que nós próprios viemos trabalhando para conduzir as pessoas à felicidade e empenhando-nos pelo Kossen-rufu desde o remoto passado, e não somente nesta existência.” (Ibidem, edição no 1.491, 16 de janeiro de 1999, p. 3).
A mensagem principal
A mensagem extraída deste princípio é: o momento de atingir a iluminação é sempre agora, neste exato instante.
Como atingir a iluminação agora?
O presidente Ikeda responde: “Quando nos levantamos com seriedade e lutamos pela ampla propagação da eterna Lei Mística, sentimos a eternidade do tempo sem começo a cada momento” (Ibidem, edição no 1.541, 29 de janeiro de 2000, p. 3). Ou seja, é realizar o Chakubuku.
Conclusão
O presidente Ikeda conclui: “Agora é kuon ganjo, o tempo sem começo. O ‘começo’ é exatamente agora. O passado já se foi. O futuro ainda não chegou. Tudo que existe é o momento presente. E o presente torna-se passado num instante. Se vocês disserem que algo existe, então existe; se disserem que não existe, não existe. É isso o que significa não substancialidade. Nesse estado de não substancialidade, a vida continua de momento a momento. Fora esse ‘momento’, a vida não tem nenhuma realidade. Sentimo-nos felizes num momento, mas no instante seguinte nos encontramos em aflição. Considerar esse momento da vida como o efeito direto de alguma causa que fizemos no passado significa pensar em termos do Verdadeiro Efeito. Significa pensar, em outras palavras, ‘Eu fiz tal coisa, portanto, aconteceu isso comigo’. Mas ter simplesmente essa perspectiva não fará surgir a esperança. O importante é considerar a própria vida no presente momento como a ‘causa’ para criar os efeitos futuros. Essa é a verdadeira causa que alcança as profundezas do ser. Não se trata de uma causa superficial. Verticalmente, nossa vida está arraigada na vida do tempo sem começo. Horizontalmente, ela é a Verdadeira Causa que permeia todo o mundo Dharma. Esse é o Nam-myoho-rengue-kyo, a grande vida eterna, a grande lei, que movimenta todo o universo e cria um constante desenvolvimento. Portanto, quando acreditamos que o Gohonzon é a incorporação dessa Lei, recitamos a Lei Mística e entramos em ação, experimentamos neste momento o tempo sem começo. E é então que brota essa força vital eternamente pura e ilimitada, que ‘não foi criada nem adornada, mas permanece em seu estado original’. Nós desfrutamos uma total liberdade tanto no passado como no futuro. O Budismo Nitiren é o ‘budismo da esperança’. Se nos esquecermos desse ponto, todos os nossos esforços serão em vão” (Ibidem, edição no 1.579, 11 de novembro de 2000, p. 3).
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