"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

3 de jan de 2009

GOSHO - Sobre atingir o Estado de Buda

(Issho Jobutsu Sho)

Se o senhor deseja livrar-se dos sofrimentos de nascimento e morte que vem suportando por eras eternas e deseja alcançar a suprema iluminação nesta existência, deve despertar para a verdade mística que sempre existiu dentro da sua vida. Esta verdade é o Myoho-rengue-kyo. Recitar o Myoho-rengue-kyo, portanto, capacita-lo-á a compreender a verdade mística dentro da sua vida. Myoho-rengue-kyo é o rei dos sutras, perfeita tanto nos caracteres como nos princípios. Suas palavras são a realidade da vida, e a realidade da vida é a Lei Mística. Esta é assim chamada porque elucida inclusive a mutualidade do relacionamento da vida e todos os fenômenos. Esta é a razão deste sutra ser considerado Myoho-rengue-kyo, 'a sabedoria de todos os Budas'.
A vida, em cada momento, engloba tanto o corpo como o espírito, a entidade e o ambiente de todos os seres sensíveis em todas as condições de vida, assim como seres insensíveis: plantas, céus e terras, até as mais minúsculas partículas de pó. A vida, em cada momento, permeia o universo e revela-se em todos os fenômenos. Aquele que entende esta verdade, demonstra a integridade da vida como o mundo fenomenal. Contudo, mesmo que recite e conserve o Myoho-rengue-kyo, se pensa que o estado de Buda existe fora do seu coração, isto já não é mais Lei Mística; é um ensino contrário a ela. Sendo assim, não é mais um ensino do Sutra de Lótus, mas um ensino provisório. Portanto, não é um caminho direto à iluminação. Desde que não é um caminho direto à iluminação, mesmo que pratique por um tempo incalculavelmente longo, não se pode atingir a iluminação. Por esta razão, torna-se muito difícil atingi-la. Portanto, quando se recita a Lei Mística e se lê o Nam-myoho-rengue-kyo, faça despertar a profunda fé que está indicando a sua própria vida, denominando-a de Nam-myoho-rengue-kyo.
Jamais pense que os 80.000 ensinos de Sakyamuni, assim como todos os Budas e Bodhsattvas do universo, existem fora de sua vida. Mesmo que estude o Budismo, se não perceber a natureza de sua própria vida, não se pode afastar do sofrimento da vida e da morte. Se procura o caminho fora de si mesmo e tenta praticar as mais variadas formas de exercício e de bondades, isto é igual a um pobre que calcula dia e noite a fortuna do seu vizinho e não obtém um tostão sequer para si. Tientai, portanto, afirma: "Se não percebe a natureza da sua própria vida, seus pecados passados não podem ser extinguidos". Isto quer dizer que, se não perceber a natureza da sua própria vida, mesmo que pratique o Budismo de nada adiantará; será apenas uma prática inteiramente inútil. Por esta razão, tal pessoa é humilhada como um praticante marginalizado do Budismo. Referindo-se a isto, no Maka Shikan consta: "Embora uma pessoa pratique o Budismo, suas concepções divergirão deste".
Por isto mesmo, recitar o nome do Buda original (Nam-myoho-rengue-kyo), ler o sutra ou oferecer "Shikimi" e incenso, tudo isto virá a ser causa de benefícios e boa sorte na vida de uma pessoa. Assim crendo, todos devem professar com fé. Daí, uma passagem do sutra "Jomyokyo" afirma que a iluminação é proveniente da mente das pessoas comuns e que estes atingirão a iluminação com a transformação de seus sofrimentos em Nirvana.
De acordo com o sutra, se a mente das pessoas é impura, sua terra também será impura. Pelo contrário, se suas mentes são puras, assim será a terra. Em uma palavra, não há duas terras, pura e impura, ao mesmo tempo. A diferença está na mente, boa ou má, das pessoas.
Pelo mesmo motivo, não há diferença real entre um Buda e um mortal comum. Enquanto desnorteada pela ilusão, a pessoa é chamada mortal comum, mas uma vez iluminada, é chamada de Buda. Por exemplo, um espelho embaçado brilhará como uma jóia se for polido. Sua mente, agora desnorteada pela escuridão inata da vida, é como um espelho embaçado, mas se o polir, é certo que transformar-se-á claro como cristal de iluminação das verdades imutáveis. Manifeste-se fortemente na prática da fé, polindo seu espelho incessantemente, dia e noite. Como deve poli-lo? Não há outro modo a não ser devotar-se à recitação do Nam-myoho-rengue-kyo.
O que então significa "myo"? É o nome dado ao mistério da mente, a incompreensível e inexpressível natureza da vida. Quando olhar em sua mente em qualquer momento, não perceberá a cor nem a forma para verificar que ela existe. Ainda assim, todavia, não poderá dizer que não existe, pois muitos pensamentos diferentes ocorrem continuamente no senhor. A mente, sem dúvida, é uma realidade que transcende tanto as palavras como os conceitos de existência e do nada. Não é nem existência ou inexistência, mas ao mesmo tempo, é dotado de ambas as qualidades. É uma entidade mística, o caminho médio que é a realidade de todas as coisas. "Myo" é o nome dado para a natureza misteriosa da mente e "ho" denota os modos em que ela se manifesta.
"Rengue", o lótus, exemplifica fisicamente a maravilha desta lei. Uma vez que o senhor sabe que a sua vida é a verdade mística, compreende que as vidas de todos os outros também são, e que a compreensão é o sutra místico, "myokyo". É o rei dos sutras que provê o direto caminho para a iluminação porque declara que todos os pensamentos que o senhor tem, sejam bons ou maus, é a própria Lei Mística. Crendo nisto profundamente, em seu coração e recitando o Nam-myoho-rengue-kyo, definitivamente alcançará o Estado de Buda nesta existência. Por conseguinte, o Sutra de Lótus afirma: "Seguindo ao meu nirvana, deve tomar a fé neste sutra. Os que assim fizerem, estão certos de viajarem direta e verdadeiramente no caminho para o estado de Buda". Não permita que a mínima duvida se imponha sobre si. Com sua fé, alcance a iluminação nesta existência.
Nam-myoho-rengue-kyo.
Nitiiren

FUNDO DE CENA
Este Gosho foi escrito em 1255, em Kamakura, quando Nitiren Dashonin contava com 34 anos de idade e foi endereçado a Toki Jonin.
Em 28 de abril de 1253, dois anos antes de escrever este Gosho, Nitiren Daishonin havia declarado a fundação da Nitiren Shoshu no Templo Kiyozumi com o propósito de salvar toda a humanidade. O Templo Kiyozumi situava-se na província de Awa, terra natal de Daishonin. Desde então, até a perseguição de Tatsunokuti ocorrida em setembro de 1271, Nitiren Daishonin desenvolveu uma grande campanha de propagação do Verdadeiro Budismo, tendo como centro a cidade de Kamakura.
Toki Jonin converteu-se ao Budismo de Nitiren Daishonin por volta de 1254 e mais tarde devotou-se à vida sacerdotal, recebendo o nome de "Jonin". Em 16 de julho de 1260, por ocasião da Perseguição de Matsubagayatsu, ocorrido logo depois que Nitiren Daishonin enviou "Rissho Ankoku Ron" ao Regente Hojo Tokimune, Toki Jonin abrigou Nitiren Daishonin em sua própria residência, protegendo-o da perseguição. Juntamente com Shijo Kingo, Toki Jonin foi uma das pessoas centrais da propagação do Verdadeiro Budismo. Toki Jonin recebeu inúmeros Gosho de Nitiren Daishonin, tais como Kanjin no Honzon Sho, Sado Gosho, Jonin Sho, Resposta ao Lorde Toki, etc.
O presente Gosho ensina que o ponto fundamental do Budismo é a iluminação, e onde se encontra o caminho direto para atingi-la.
A iluminação evidencia-se somente nas pessoas que recitam o Daimoku e que tomaram a consciência de que são entidade da Lei Mística. Os incontáveis sutras expostos por Sakyamuni, e inclusive todos os Budas e Bodhisattvas, encontram-se dentro da vida de cada pessoa. Portanto, mesmo que se devote à prática do Budismo, se não acreditar na existência do estado de Buda dentro da vida, não se pode escapar do sofrimento da vida e da morte. Ensina também a importância da prática da fé com convicção de que todas as ações em prol do Budismo transformam-se em boa sorte e benefícios a si mesmo.

As mais Belas Histórias Budistas - As Escrituras de Nitiren DaishoninEndereço: http://www.vertex.com.br/users/san/goshos e-mail: sandro@vertex.com.br

Um comentário:

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