"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

3 de jan de 2009

GOSHO - Os Presságios

(Zuisso Gosho – Págs. 1140 a 1142)


Estranhas ocorrências no céu atemorizam todas as pessoas e calamidades na terra inquietam a todos. Quando o Buda estava prestes a expor o Sutra de Lótus, ocorreu o surgimento dos cinco presságios e dos seis presságios. Destes, o presságio da terra agitando-se denota que a terra tremeu de seis modos diferentes. Interpretando esse fato no terceiro volume de seu Hokke Mongu, o Grande Mestre Tientai afirma: "(Um dos seis é que) o leste eleva-se e o oeste declina. O quadrante leste corresponde à cor verde e governa o fígado que, por sua vez, governa os olhos. O quadrante oeste corresponde à cor branca e governa os pulmões que, por sua vez, governa o nariz. Consequentemente, o leste elevando-se e o oeste declinando, indicam que os benefícios dos olhos aparecem e, em resposta, os desejos mundanos dos olhos desaparecem. De maneira similar, quando os benefícios do nariz surgem, em resposta, os desejos mundanos do nariz desaparecem. De forma semelhante, a elevação e declínio de outras direções significam o surgimento do benefício e desaparecimento dos desejos mundanos com respeito aos outros órgãos sensoriais".
Com relação a isso, o Grande Mestre Miao-lo diz: "As direções indicam os seis orgãos dos sentidos. Já está estabelecido que os olhos e o nariz representam, respectivamente, o leste e o oeste. Segue-se portanto, que os ouvidos e a língua equivalem, respectivamente, ao norte e ao sul. O centro correlaciona-se com a mente, ao passo que as quatro direções indicam o corpo. O corpo é dotado com os quatro órgãos sensoriais, e a mente é ligada a todos os quatro. Portanto, a mente induz a elevação ou declínio com referência (às funções sensoriais do) corpo". As dez direções são ‘ambiente’ (eho), e os seres sensíveis são ‘vida’ (shoho). O ambiente é como a sombra, e a vida, o corpo. Sem corpo não pode haver sombra. Analogamente, sem a vida, o ambiente não pode existir, embora a vida seja sustentada pelo seu ambiente. Os olhos correspondem ao quadrante leste. A partir disto, sabemos também que a língua corresponde ao quadrante sul, o nariz, ao quadrante oeste, e os ouvidos, ao quadrante norte, o corpo, a todos os quatro quadrantes, e a mente, ao centro. Portanto, quando os cinco órgãos sensoriais das pessoas estiverem desordenados, os quatro quadrantes bem como o centro ficarão sobressaltados e estremecidos, e como sinais da consequente destruição da terra, as montanhas ruirão, a grama e árvores murcharão e os rios secarão. Quando os olhos, ouvidos e outros órgãos sensoriais das pessoas estão confusos e perturbados, mudanças incomuns ocorrem no céu, e quando as mentes delas estão agitadas, a terra treme.
Algum sutra já foi pregado sem que a terra tremesse de seis maneiras diferentes ? Esse fenômeno invariavelmente ocorreu cada vez que o Buda expôs um sutra. Contudo, quando o Buda, prestes a expôr o Sutra de Lótus, fez a terra estremecer de seis modos diferentes, as pessoas ficaram especialmente atônitas. O bodhisattva Miroku formulou uma pergunta sobre esse fenômeno e o bodhisattva Monjushiri respondeu. Isto porque o presságio era maior, tanto em magnitude como em duração, do que quando os outros sutras foram pregados, e as questões das pessoas eram, portanto, mais difíceis de solucionar. Desta forma, Miao-lo afirma: "Nenhum sutra Mahayana jamais foi pregado sem a reunião de multidões de pessoas, sem o Buda emitir um raio de luz de sua testa, sem flores choverem do céu ou sem a terra sacudir. Entretanto, nunca antes as pessoas ficaram tão imensamente abismadas como estavam agora". Isto significa que presságios haviam anunciado a pregação de todos os outros sutras também, mas nenhum havia sido tão assombroso (como aqueles que ocorreram quando o Sutra de Lótus foi exposto). Por esta razão, o Grande Mestre Tientai declara: "As pessoas dizem que quando uma aranha tece a sua teia, isto indica que algum acontecimento feliz está próximo, e se uma pega fala, prenuncia a chegada de um convidado. Até mesmo tais insignificâncias são preditas por algum sinal. Como, então, grandes assuntos poderiam ocorrer sem presságios ? Por intermédio do próximo, o distante é revelado". Assim, o Buda manifestou grandes augúrios, jamais vistos antes durante os seus mais de quarenta anos de pregação, quando expôs o ensino teórico do Sutra de Lótus.
Todavia, os presságios que anunciaram o ensino essencial ultrapassam amplamente os sinais que precederam o ensino teórico, muito mais do que estes, por sua vez, excederam os presságios que prenunciaram os ensinos pré-Sutra de Lótus. Uma magnífica torre do tesouro brotou do chão e, então, multidões de bodhisattvas emergiram da terra. Os grandes tremores dessa ocasião foram como vendavais soprando sobre o oceano, criando ondas do tamanho de montanhas, que arremessam um pequeno navio como se fosse uma folha de junco, tragando até mesmo suas velas. Portanto, embora Miroku tenha indagado a Monju a respeito dos presságios que surgiram no capítulo Jo, com referência aos grandes prodígios que ocorreram no capítulo Yujutsu, ele perguntou diretamente ao próprio Buda. Miao-lo explica esse fato, dizendo: "Como o ensino teórico diz respeito a assuntos que são superficiais e, comparativamente, recentes, Monju poderia oferecer respostas de crédito. Por outro lado, a iluminação original do Buda no remoto passado era tão difícil de compreender que ninguém, exceto o próprio Buda, poderia ser confiada a explicação". O Buda não se preocupou em esclarecer os presságios do ensino teórico, mas Monju sabia, de forma geral, o que significavam. Os presságios do ensino essencial, no entanto, ele não conseguia nem mesmo começar a sondar. E, esses presságios referiam-se somente a eventos ocorrentes durante a existência de Sakyamuni.
Então, quando o Buda veio a pregar o capítulo Jinriki, ele exibiu dez poderes místicos. Estes eram incomparavelmente mais extraordinários do que os presságios do capítulo Jo ou os dos capítulos Hoto e Yujutsu. O feixe de luz que o Buda emitiu (de sua testa) na oportunidade do capítulo Jo iluminou apenas dezoito mil mundos ao leste, mas o que ele irradiou (de seu corpo inteiro) na ocasião do capítulo Jinriki abrangeu todos os mundos das dez direções. Enquanto o tremor da terra no capítulo Jo limitou-se aos mundos do sistema maior de mundos, no capítulo Jinriki todos os mundos dos Budas das dez direções tremeram de seis modos diferentes. E, os sinais que surgiram na nossa própria época são igualmente espantosos.
Os grandes presságios do capítulo Jinriki predisseram que a essência do Sutra de Lótus propagar-se-ia, após a morte do Buda, quando os dois mil anos dos Primeiros Dias da Lei tivessem passado e os Últimos Dias da Lei tivesse começado. Uma passagem do sutra afirma: "Porque (haverá aqueles que) fielmente sustentarão este sutra após a morte do Buda, todos os Budas alegram-se e demonstram seus ilimitados poderes místicos". Consta também ‘(aquele que conseguir sustentar este sutra) na era maléfica dos Últimos Dias da Lei…’.
Pergunta: Todos os presságios, sejam bons ou maus, predizem algo que irá ocorrer dentro de uma ou duas horas, um dia ou dois, um ou dois anos, ou dentro de sete ou doze anos no máximo. Como poderia haver presságios que anunciem aquilo que irá acontecer mais de mil anos depois ?
Resposta: O evento predito pelos presságios que aconteceram no reinado do Rei Chao da dinastia Chou tornou-se realidade após mil e quinze longos anos. O sonho do Rei Kiriki concretizou-se depois de não menos que vinte e dois mil anos. Como, então, pode duvidar que existam presságios que predizem algo, de mais de dois mil anos antes de realmente acontecer ?
Pergunta: Por que os presságios profetizando a época após a morte do Buda Sakyamuni foram maiores do que os relativos à sua existência ?
Resposta: A terra treme em resposta à agitação dos seis órgãos sensoriais das pessoas. Dependendo da extensão dessa agitação, os seis modos diferentes nos quais a terra estremece variarão em intensidade. Os ensinos pré-Sutra de Lótus parecem extinguir os desejos mundanos (associados aos seis órgãos sensitivos) das pessoas, mas na realidade não o fazem. Em contraste, o Sutra de Lótus subjuga a escuridão fundamental (da qual todos os desejos mundanos originam-se). Consequentemente, a terra sacode violentamente. Além disso, há muito mais pessoas más nessa era posterior do que durante a existência do Buda. Foi por esta razão que, para os Últimos Dias da Lei, o Buda ocasionou o surgimento de presságios muito maiores do que os referentes à sua própria época.
Pergunta: Que prova pode oferecer (de que o número de pessoas más é maior nos Últimos Dias)?
Resposta: O sutra afirma: "Uma vez que o ódio e inveja com relação a este sutra abundam mesmo durante a existência do Buda, quão pior não serão no mundo após a sua morte?" Deixando de lado os sete reinados dos deuses celestiais e os cinco reinados dos deuses da terra, nos mais de dois mil anos dos noventa reinados de governantes humanos, o grande terremoto da era Shoka e o extraordinário fenômeno que surgiu no céu durante a era Bun’nei foram prodígios sem precedentes no Japão. Se as pessoas estiverem repletas de alegria, presságios auspiciosos aparecerão no céu, e o abalo causado pelo deus Taishaku balançará a terra. Por outro lado, se a mente delas estiver obcecada pelo mau, haverá mudanças no céu e calamidades terríveis na terra. A magnitude das ocorrências sinistras no céu variam conforme o grau da ira das pessoas; o mesmo vale para os desastres na terra. O Japão atual está repleto de pessoas, do governante aos cidadãos comuns, cujas mentes estão possuídas pelo mal. Esse mal nasce do ódio deles contra mim, Nitiren.
Há um sutra intitulado Shugo Kokkai, uma escritura que veio depois do Sutra de Lótus. O mesmo relata que o rei Ajatashatru foi até o Buda e perguntou: "Todo ano, meu país foi assolado por secas, furacões violentos, enchentes, fome e peste. Além disso, fomos atacados por uma outra nação. Por que esses desastres haveriam de ocorrer, quando este é exatamente o país onde o Buda fez o seu advento ?".
O Buda responde: "Esplêndido, esplêndido! É admirável de sua parte, ó grande rei, ter feito tal pergunta. Porém, o senhor cometeu muitos erros e males. Entre estes, matou o seu prório pai e, tomando Devadatta como seu mestre, feriu-me. Pelo fato de essas serem duas ofensas muito grave, o seu país é acossado por inumeráveis desastres". O sutra prossegue, citando as palavras do Buda: "Após a minha morte, nos Últimos Dias da Lei, quando monges como Devadatta preencherão a Terra, surgirá um único monge que abraça a Verdadeira Lei. Os monges maus o exilarão e condenarão à morte esse homem da Verdadeira Lei. Eles violarão não apenas a consorte do rei, mas também as filhas das pessoas comuns, cobrindo o país, deste modo, com a semente dos caluniadores. Por este motivo, a nação sofrerá várias calamidades e, posteriormente, será invadida por um país estrangeiro".
Os seguidores da Nembutsu no mundo atual são exatamente como os monges maus mencionados no sutra acima. Além disso, a presunção dos mestres da Shingon ultrapassa a de Devadatta dez bilhões de vezes. Permita-me descrever brevemente a conduta esquisita da seita Shingon. Seus sacerdotes pintam uma imagem dos dez honoráveis sentados no lótus de oito pétalas no centro do Mundo Útero. Então colocam-se sobre essa pintura e pisando os rostos dos Budas, realizam a sua cerimônia de unção. Isto é como se estivessem pisando em cima dos rostos dos seus próprios pais ou na cabeça do imperador deles. Sacerdotes como esses preenchem o país inteiro, tornando-se os mestres tanto dos da alta camada como da baixa. Não é de admirar que o país esteja face à ruína !
O que afirmei anteriormente é o mais importante de meus ensinos. Explicarei o assunto novamente numa outra ocasião. Escrevi-lhe um pouco a respeito disso antes, mas não fale aos outros indiscriminadamente. O senhor enviou-me expressões de sua sinceridade não somente uma vez ou duas, mas sempre que a oportunidade fez-se presente. Não consigo encontrar palavras (para expressar minha gratidão).


Fundo de Cena


Nitiren Daishonin escreveu esta carta em Minobu, em 1275, quando estava com 54 anos de idade. Como a parte final está faltando, não se sabe com certeza o seu recebedor. Porém, considera-se de forma geral, que tenha sido endereçada a Shijo Kingo, um samurai e um dos mais leais seguidores de Nitiren Daishonin. Nessa época, Shijo Kingo estava enfrentando a oposição do seu lorde e colegas samurais por causa da fé.
Em outubro de 1274, os mongóis haviam lançado um ataque maciço contra as ilhas do sul, Iki e Tsushima, e avançaram para Kyushu. As perdas japonesas foram vertiginosas. Entretanto, quando os exércitos mongóis retornaram aos seus navios de guerra à noite, surgiu uma tempestade inesperada e danificou fortemente a esquadra deles. No ano seguinte, contudo, Kublai Khan novamente mandou emissários, ameaçando uma nova invasão, caso o governo japonês não reconhecesse a lealdade ao Império Mongol. Durante este período, Nitiren Daishonin encontrava-se atarefado em Minobu escrevendo cartas, treinando os seus discípulos e oferecendo explanações sobre o Sutra de Lótus. ‘Os Presságios’ interpreta a ameaça mongol e outras calamidades recentes à luz de seu ensino.
No início desta carta, Nitiren Daishonin discute os presságios que se manifestaram quando o Buda Sakyamuni expôs o Sutra de Lótus com referência ao princípio da unicidade da vida e seu ambiente (esho funi). Expandindo ainda mais esse princípio, ele explica que, quando os seis órgãos sensoriais ou faculdades de percepção das pessoas estão iludidas, mudança incomuns ocorrem no céu e na terra. Essa afirmação reflete a verdade de que embora a vida e seu ambiente sejam dois fenômenos independentes, fundamentalmente são unos e inseparáveis.
Em seguida, Nitiren Daishonin esclarece que a pregação do Buda é sempre precedida de presságios, cuja magnitude mostra a profundidade do ensino a ser revelado. Deste modo, os prodígios que anunciaram o Sutra de Lótus foram maiores do que os que antecederam qualquer outro sutra. Além disso, os sinais que prenunciaram o ensino essencial (segunda metade) do Sutra de Lótus superam em muito os que introduziram o ensino teórico (primeira metade). Nitiren Daishonin cita a emergência da Torre de Tesouro e a aparição dos Bodhisattvas da Terra como presságios revelando a superioridade do ensino essencial em relação ao ensino teórico. Ademais, ele diz, os grandes portentos do capítulo Jinriki (vigésimo-primeiro) ultrapassam mesmo estes, e predizem que a Lei de Nam-myoho-rengue-kyo, indicada nas profundezas do capítulo Juryo (décimo-sexto) irá propagar-se amplamente nos Últimos Dias da Lei, que se iniciaram dois mil anos após a morte do Buda Sakyamuni.
Nitiren Daishonin, então, retorna às agitações e ocorrências estranhas no Japão durante a sua própria época. Todas estas, ele conclui, ocorrem porque as pessoas opõem-se ao devoto do Sutra de Lótus que propaga a essência do mesmo nos Últimos Dias da Lei. Especificamente, ele adverte que devido à calúnia perpretada pelos praticantes da Nembutsu e mestres da Shingon, o Japão seria destruído por um país estrangeiro. Como as pessoas estavam perseguindo Nitiren Daishonin, elas sofreriam grandes calamidades. Isto implica que ele não é ninguém senão o Buda dos Últimos Dias da Lei – que é ‘o mais importante de meus ensinos’ mencionado no último parágrafo.

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