"Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a se mover

em direção ao seu desejo".

29 de jul de 2008

História e convicção da Soka Gakkai

O primeiro presidente Tsunessaburo Makiguti levantou-se para conduzir a Soka Gakkai e propagar a Verdadeira Lei justamente numa época em que os adeptos da Nitiren Shoshu haviam esquecido a questão da punição. Esta é a razão de ele ter exposto a teoria da punição tanto dentro como fora da Nitiren Shoshu, encontrando com isso perseguições por sua tentativa de propagar a grande Lei. Houve até bonzos que o atacaram dizendo que ao enfatizar a teoria da punição estaria contradizendo as doutrinas do Budismo de Nitiren Daishonin.
Contudo, o presidente Makiguti foi resoluto ao expor o terror da punição que se recebe por caluniar a Lei. Até o último momento de sua vida, permaneceu resoluto ao proclamar a verdadeira punição da Lei.
O Sr. Makiguti, meu mestre, freqüentemente dizia: "O Gohonzon possui um grandioso poder. O fato de o Gohonzon ter esse poder também significa que se o caluniarem, serão punidos. Como um pai que não é honesto o suficiente para repreender seus filhos poderá ajudá-los a tornarem-se felizes? Orem ao Gohonzon sinceramente. Os senhores não conseguem ouvir o Gohonzon dizer-lhes que 'se caluniarem esta Lei terão sua cabeça partida em sete pedaços?'. Essa declaração, que pode ser lida no Gohonzon, refere-se na realidade à punição que se recebe por caluniá-lo." Eu concordo com essa afirmação. Aquele que se opõe a esse ponto de vista na realidade não acredita no admirável poder do Dai- Gohonzon.
Gostaria de dizer que essas pessoas que se opõem à teoria da punição não são diferentes daquelas que são fascinadas pela suave benevolência do Budismo de Sakyamuni. Diria que elas não incorporam o verdadeiro espírito do Budismo de Nitiren Daishonin.(...) No canto superior direito do Gohonzon estão contidas as palavras: "Se caluniarem, terão sua cabeça partida em sete pedaços." Isso não significa a teoria da punição?
E no canto superior esquerdo está a seguinte inscrição: "Se fizerem oferecimentos, receberão benefícios maiores do que os dez títulos do Buda." Isso não significa a promessa que o Gohonzon nos faz de que recebemos benefícios quando o reverenciamos?
Benefício, ou valor, e punição, ou antivalor, constituem a realidade de nossa vida diária. Porém, alguns bonzos da Nitiren Shoshu haviam-se esquecido de que o poder do Gohonzon pode ser revelado na vida diária de uma pessoa. Quando o presidente Makiguti abordou essa questão, ficaram surpresos com o que ele havia revelado. Contudo, mantiveram a aparência como se soubessem disso há muito tempo.
Mais do que assustado, fiquei triste em saber que ainda hoje existem bonzos ignorantes que não se lembram dessa verdade.
No Gosho "As Perseguições ao Buda", Nitiren Daishonin afirma: "Nos Últimos Dias da Lei, os governantes e o povo que desprezam os devotos do Sutra de Lótus pareciam estar livres da punição no início, mas no final todos se destinaram à queda." (END., vol. 1, pág. 303.)
Essa passagem indica claramente que a pessoa que calunia a grande Lei receberá uma severa punição. Quem pode negar isso? Negar esse fato é um ato calunioso, e caso alguém proceda dessa forma significará que é uma pessoa tola e má. O Buda também diz no mesmo Gosho: "As mortes de Ota Tikamassa, de Nagasaki Tokitsuna e de Daishinbo, por exemplo, que foram atirados do cavalo, podem ser atribuídas à sua traição ao Sutra de Lótus. Existem quatro espécies de punição: geral e individual, conspícua e inconspícua. A epidemia generalizada, a fome nacional, as insurreições e a invasão estrangeira sofridas pelo Japão são punições gerais. Epidemias são também punições inconspícuas. As mortes trágicas de Ota e outros são conspícuas e individuais. Cada um dos senhores deve reunir a coragem de um leão e jamais sucumbir às ameaças de alguém. (END., vol. 1, pág. 303.) (...)
A suprema filosofia do budismo explanava claramente que o Japão seria derrotado se estivesse baseado no xintoísmo. O que na realidade aconteceu foi que os militares tentaram até mesmo queimar os documentos de Nitiren Daishonin que expunham um ensino muito importante. (...)
Dominada pelos militares, a nação japonesa passou a nutrir estranhos pensamentos. Sem compreender o quanto o povo iria se tornar ideologicamente confuso, a nação japonesa tentou unificar todas as religiões. Chegou a ponto de encorajar todos os cidadãos a adorarem a Deusa do Sol, acusando aqueles que se recusavam a proceder dessa forma de serem inimigos da nação e proponentes de pensamentos traiçoeiros e antibélicos. Pela primeira vez na história do Japão, praticamente a nação inteira adorou a fé total na Deusa do Sol.
A definição correta da Deusa do Sol é a de uma divindade que protege o Sutra de Lótus. Em outras palavras, somente quando oramos ao Sutra de Lótus a Deusa do Sol revela seu poder.(...)
O segundo sumo prelado Nikko Shonin, fundador do Templo Taissekiji, declara em seu escrito "As Vinte e Seis Advertências": "Os devotos não devem visitar santuários heréticos." Com esse espírito, o presidente Makiguti fez uma rigorosa declaração: "Nós não temos escolha a não ser propagar o Dai-Gohonzon, o verdadeiro desejo de Nitiren Daishonin, a fim de salvar nossa nação. Como podemos salvar nosso país simplesmente por meio da oração à Deusa do Sol?" (...)
O Templo Principal temia sofrer uma perseguição caso concordasse com a alegação do Sr. Makiguti. (...) Parecia estar temeroso quanto a uma possível perseguição a ser enfrentada, imposta pelos militares, caso os devotos não venerassem obedientemente o objeto de adoração xintoísta.
Em junho de 1943, os líderes da Soka Gakkai receberam uma ordem para irem ao Templo Principal. O bonzo Jikai Watanabe, em nome da Nitiren Shoshu, sugeriu que os membros da Soka Gakkai recebessem o talismã xintoísta de qualquer forma e que seguissem provisoriamente as normas militares. Essa sugestão foi feita com a presença de dois sumo prelados, o que estava em exercício e o aposentado, como testemunhas. Novamente, o segundo sumo prelado Nikko Shonin declara em "As Vinte e Seis Advertências": "Mesmo que o sumo prelado em exercício dite normas arbitrárias que se oponham ao budismo, ninguém deve adorá-las em absoluto." Baseando-se nesse espírito, o presidente Makiguti rejeitou resolutamente a idéia de aceitar o talismã xintoísta e deixou o Templo Principal. No caminho de casa, ele me disse: "O que eu lamento não é o fato de uma religião ser arruinada, mas que nossa nação irá perecer. Temo que o Buda esteja certamente triste com esta situação. Não seria esta a época de advertir toda a nação? Eu não compreendo o que o Templo Principal teme." (...)
O presidente Makiguti possuía esse espírito veemente, porém, o deturpado governo militar tratou-o como um criminoso, embora ele não tivesse cometido nenhum crime. Vinte e um líderes da Soka Gakkai foram presos somente porque se recusaram a adorar a Deusa do Sol. (...)
O presidente Makiguti, eu próprio e nossos companheiros fomos proibidos de visitar o Templo Principal, e todo o Japão taxou nossas famílias de inimigas da nação. Foi como aconteceu, foram dias muito estranhos.
O presidente Makiguti morreu de desnutrição na prisão em 18 de novembro de 1944, jamais perdendo o orgulho de enfrentar a perseguição.
Eu não soube de imediato sobre a morre de meu mestre. A última vez que o vi foi no inverno de 1943 no posto policial onde estávamos presos. Fomos encarcerados separadamente em celas estreitas e individuais. (...)
Em 8 de janeiro de 1945, um ano e meio após ser preso, disseram-me que o Sr. Makiguti havia falecido. Quando retornei à minha cela, não pude conter minhas lágrimas.
Quase na mesma época da morte do presidente Makiguti, eu havia completado aproximadamente dois milhões de Daimoku, e experimentei uma condição de vida profundamente mística graças à grande benevolência do Buda Original. Após isso, dediquei todo meu tempo a questionamentos, recitando o Daimoku e sentindo a alegria por ter sido capaz de compreender o Sutra de Lótus, que fora tão difícil de entender a princípio.
Enquanto estava sendo interrogado, fui informado de que a maioria de nossos companheiros havia abandonado a prática. Lamentei profundamente a fraca fé deles, mas, ao mesmo tempo, experimentei a alegria da gratidão ao Dai- Gohonzon das profundezas de meu coração. Decidi dedicar toda a minha vida ao Buda Original Nitiren Daishonin. (...)
Iniciando com o dia em que fui libertado da prisão, 3 de julho de 1945, tornei-me capaz de dizer ao meu falecido mestre em meu coração: "Nossa vida é eterna. Não há início nem fim para ela. Estou agora consciente de que todos nós aparecemos neste mundo com a grande missão de propagar os sete caracteres do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei. Se me atrever a definirmo-nos com essa convicção, posso dizer que todos nós somos Bodhisattvas da Terra.
Esta consciência gradativamente permeou os membros da Soka Gakkai. Mesmo assim, a organização não abandonou seu aspecto transitório. Era apenas uma questão de consciência individual, e não uma revelação da verdadeira identidade da Soka Gakkai em dimensão global. Entretanto, logo um grande senso de missão emergiu de dentro da Soka Gakkai, e inaugurou uma nova fase com grande convicção. Eu diria que fomos capazes de corresponder ao Sr. Makiguti da seguinte forma: "Na aparência, ou num nível superficial, somos Bodhisattvas da Terra, mas na fé, ou num nível mais profundo, somos seguidores de Nitiren Daishonin. Somos seus discípulos. Onde quer que estejamos, por exemplo, diante de todos os budas e bodhisattvas do passado, presente e futuro de todas as direções, ou no abismo do inferno, recitamos orgulhosamente os sete caracteres do Sutra de Lótus ao Dai-Gohonzon. Adquirimos um orgulho único pelo Gohonzon que temos consagrado em nosso coração. Praticamos fielmente os sete caracteres do Sutra de Lótus para nós e para os outros. Refutamos todas as religiões heréticas, e assim, como mensageiros do Kossen-rufu no Oriente, conduziremos o desejo de nosso falecido presidente até o último momento de nossa vida." Esta convicção é o pensamento fundamental da Soka Gakkai. (...) Esta realidade significa que ela abandonou seu aspecto transitório e revelou sua verdadeira identidade. (...)
A Soka Gakkai, que perdeu seu aspecto transitório e revelou sua verdadeira identidade, iniciou vigorosas atividades seguindo exatamente o espírito de Nitiren Daishonin. Estamos determinados a encontrar muitas dificuldades, mas por estarmos convictos do quanto a nossa missão é nobre, essas futuras dificuldades não serão nada. Considerando a nobreza dos membros da Gakkai, digo que eles correspondem à seguinte consideração de Nitiren Daishonin: "Questão: Quando seus discípulos, sem qualquer compreensão, simplesmente recitam com sua boca as palavras Nam-myoho-rengue-kyo, que nível de iluminação podem atingir?
"Resposta: Não somente eles irão além do mais alto nível dos quatro sabores ou dos três ensinos, tal como atingido pelos praticantes do perfeito ensino mostrado nos sutras que precedem o Sutra de Lótus, como também ultrapassarão em milhões e bilhões de vezes os fundadores da Shingon e de várias outras escolas do budismo - homens como Shan-wu-wei, Chih-yen, Tzuen, Chi-tsang, Tao-hsuan, Bodhikharma e Shan-tao.
"Portanto, rogo às pessoas deste país: Não desprezem meus discípulos! Se alguém inquirir seu passado, descobrirá que eles são grandes bodhisattvas que fizeram doações aos budas durante um período de oitenta miríades de milhões de kalpas, e que executaram práticas religiosas sob o comando de budas tão numerosos quanto as areias dos rios Hiranyavati e Ganges. E se alguém falar do futuro, saberá que eles são dotados com os benefícios da qüinquagésima pessoa, ultrapassando aquele que faz doações a todos os seres vivos por um período de oitenta anos. Eles são como um imperador bebê envolto num cueiro, ou um grande dragão que acabou de nascer. Não os desprezem! Não os olhem com desrespeito!" (The Major Writings of Nichiren Daishonin, vol. VI, págs. 224-225.)
Os membros da Gakkai que leram essa passagem despertaram para um grande senso de missão e abrigaram um profundo desejo de propagar o Verdadeiro Budismo pelo Kossen-rufu do Oriente.

Preciosa Colaboração de Marcio Rangel e-mail ongakutai@ig.com.br

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